Morre o produtor musical Tom Capone

O produtor brasileiro Tom Capone, de 37 anos, morreu na madrugada de quinta-feira, num acidente de motocicleta, horas depois de deixar o Shrine Auditorium, em Los Angeles, onde participou da entrega do Grammy Latino. Capone seguia pela Ventura Boulevard, quando a motocicleta e um carro, dirigido por uma mulher ainda não identificada, se chocaram em um cruzamento.Tom Capone, cujo nome verdadeiro era Luis Antônio Ferreira Gonçalves, foi ao Grammy acompanhar a cantora Maria Rita, de quem produziu o álbum Maria Rita, que ganhou três prêmios. Ele estava envolvido em pelo menos cinco trabalhos indicados para o Grammy, como Cosmotron, do Skank, que levou o troféu de melhor álbum de rock brasileiro.Catarinense, pai de três filhos (um dos quais com pouco mais de um mês), Capone mudou-se com a família para Brasília quando tinha 18 anos, época em que a cidade era palco de uma crescente movimento de bandas de rock. "Foi tocando, como guitarrista da banda Peter Perfeito, que eu me envolvi definitivamente com a música", disse Capone, em recente entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. "Ainda em Brasília, comecei a tocar com outros artistas, como Cássia Eller, e participar de várias co-produções."No fim da década de 80, Capone trocou Brasília pelo Rio, onde deslanchou na carreira. Diretor-artístico da Warner Music, desde 1998, era o produtor dos mais requisitados entre grandes nomes da música brasileira, como Skank, O Rappa, Marisa Monte, Lenine, Barão Vermelho, Nando Reis, Gilberto Gil, Milton Nascimento e outros. Também produziu CDs de Kelly Key, Pavilhão 9 e Raimundos. Seus últimos projetos foram o álbum do retorno do Barão Vermelho, três faixas do novo disco do grupo Los Bacilos e um duo de Milton Nascimento com Francisco Céspedes, para a Warner México.A notícia da morte de Capone causou comoção no meio musical. Com voz embargada, o músico Roberto Frejat descreveu Tom como uma pessoa essencial dentro de sua trajetória. "Ele produziu meus dois discos-solo e era (e vai continuar sendo) o produtor do disco que o Barão está gravando", disse. "Estou desorientado e muito triste por tudo. Ele estava num momento brilhante. Era um profissional brilhante, um ser humano excepcional e um grande amigo. Éramos como irmãos mesmo. Foi isso que ele falou ao telefone nos últimos momentos em que conversei com ele depois da premiação do Grammy. Ele estava em um momento muito feliz da vida. Vou demorar muito tempo para assimilar essa perda."O produtor Carlos Eduardo Miranda também o considerava um irmão, além de uma pessoa muito importante para a música brasileira. "Fizemos muitas coisas juntos, desde churrascos até produzir discos. Graças a Deus ele conseguiu deixar um legado muito grande, mas ainda tinha muito a fazer. A perda de um irmão é muito difícil, a dor é muito grande."

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