Jae C. Hong/ AP
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Morre o produtor musical Phil Spector, aos 81 anos, que cumpria pena por assassinato

Em 2009, Spector foi declarado culpado pela morte a tiros da atriz Lana Clarkson

AP, Redação

17 de janeiro de 2021 | 14h24
Atualizado 17 de janeiro de 2021 | 15h29

Phil Spector, o excêntrico e revolucionário produtor musical que transformou o rock com seu método Wall of Sound (Parede sonora) e que, mais tarde, foi condenado por assassinato, morreu. Ele tinha 81 anos. Oficiais da prisão estadual da Califórnia disseram que ele morreu de causas naturais, sábado, 17, em um hospital. Spector foi condenado por matar a atriz Lana Clarkson em 2003 em sua mansão nas aforas de Los Angeles. Depois do julgamento, em 2009, ele recebeu a sentença de  19 anos. Clarkson, estrela de Rainha Guerreira (1985) e outros filmes B, foi encontrada morta a tiros.

Anos antes, nos anos 1960, Spector foi considerado um visionário por canalizar a ambição wagneriana em canções de três minutos, criando a “parede sonora” que mesclava harmonias vocais animadas com arranjos orquestrais luxuosos para proruzir marcos do pop como Da Doo Ron Ron, Be My Baby e He’s a Rebel.

Ele foi o raro artista autoconsciente nos primeiros anos do rock, e cultivou uma imagem de mistério e poder com seus tons escuros e expressão impassível. Bruce Springsteen e Brian Wilson replicaram abertamente suas técnicas de gravação grandiosas e romantismo arregalado, e John Lennon o chamou de “o maior produtor musical de todos os tempos”.

Por volta dos 20 e poucos anos, suas “pequenas sinfonias” resultaram em quase duas dúzias de singles de sucesso e o tornaram um milionário. You Lost That Lovin Feeling, a balada operística dos Righteous Brothers que liderou as paradas em 1965, foi tabulada como a canção mais tocada no rádio e na televisão – contando com as muitas versões cover – no século 20. Mas, graças em parte à chegada dos Beatles, seu sucesso nas paradas logo desapareceria. Quando River Deep-Mountain High não pegou, Spector fechou sua gravadora e se retirou do ramo por três anos.

Ele continuou no ramo produzindo os Beatles e Lennon, mas agora estava servindo aos artistas, e não o contrário. Em 1969, Spector foi chamado para resgatar o álbum Let It Be dos Beatles, uma produção problemática marcada por divergências dentro da banda. Embora Lennon tenha elogiado o trabalho de Spector, o colega de banda Paul McCartney ficou furioso, especialmente quando  Spector adicionou cordas e um coro para The Longe and Winding Road, de McCartney.

Spector  teve um papel memorável no cinema, uma participação especial como traficante de drogas em Sem Destino (1969). O volume e a violência da  música de Spector refletia um lado negro que ele mal conseguia conter, mesmo em seu auge. Ele era imperioso, temperamental e perigoso, lembrado com amargura por Darlene Love, Ronnie Spector e outros que trabalharam com ele. Anos de histórias nas quais ele apontava armas para  artistas no estúdio e ameaçava mulheres voltariam para assombrá-lo após a morte de Clarkson.

De acordo com  testemunhas, Lana Clarkson concordou, com certa relutância, em acompanhá-lo até sua mansão ao sair da casa noturna House of Blues, onde trabalhava, na madrugada de 3 de fevereiro de 2003. Segundo o motorista, ele saiu da casa segurando um revólver, com sangue nas mãos, e disse a ele: “Eu acho que matei uma pessoa”. Mais tarde, ele diria a amigos que Clarkson se matou. O caso ficou envolto em mistério, e levou um ano para as autoridades abrirem as acusações.  / TRADUÇÃO DE ADRIANA MOREIRA

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