Morre o percussionista Miguel Angá Diaz, rei das congas

Morreu nesta quinta=feira em Barcelona o percussionista cubano Miguel "Angá" Diaz, aos 46 anos, um dos mais jovens integrantes dos grupos Buena Vista Social Club, Afro-Cuban All Stars e Irakerê. O instrumentista teve um infarto.Considerado o rei das congas, Angá Diaz tocou com músicos do mundo inteiro: Chick Corea, Steve Coleman, Roy Hargrove, Herbie Hancock, Carlinhos Brown (toca percussão no disco Carlito Marrón).O músico veio ao Brasil em três ocasiões. Em 2001, quando tocou no disco de estréia do contrabaixista Orlando "Cachaíto" López (Warner Music/Nonesuch), ele declarou, em entrevista ao Estado, por telefone, de Nova York: "Em Cuba, nós todos fazemos a mesma música, não há música nova, não há música velha. Não há a trova nova, não há velha trova. É como o blues, é sempre a mesma trova; é um pensamento, é o que tu queres dizer", ressaltou.Era ligado às raízes cubanas, mas foi também um dos mais modernos de sua geração. Sua última gravação foi lançada em fevereiro deste ano pela Nonesuch, o disco "Echu Mingua", na qual conta com scratches e beats do DJ francês Dee Nasty, além da presença de quatro gênios do piano: Chucho Valdés, com quem tocou no Irakerê; Roberto Fonseca; David Alfaro (do Afro-Cuba All-Stars); e Ruben Gonzalez, na derradeira gravação que fez antes de morrer.Echu Mingua mistura a moderna música européia com a tradição cubana, além de jazz, hip-hop, a tradição malinesa dos griôs (com participação de Baba Sissoko, do Mali) e a exuberância instrumental de duas gerações de músicos. Ele também ajudou a fazer essa ponte entre o tradicional e o moderno na música de Cachaíto López, que ele chamava de "laboratório"."O laboratório de Cachaíto é algo que se remete de certa forma à experiência química, de análise", disse o percussionista. "É uma maneira de situar o trabalho em nossa época, mas isso não muda o pensamento - é apenas um jeito de trazer o pensamento para outro aspecto da vida, que todo mundo está buscando", teorizou.O relacionamento de Angá com criadores de diferentes escolas o transformou em uma unanimidade das congas. Assim, não causou estranhamento quando o grupo de hip-hop Orishas escolheu suas linhas percussivas para perpassar todo seu disco de maior sucesso, A Lo Cubano (Universal Music). "Para mim, em particular, ele é uma das maiores expressões da percussão mundial", disse de Angá o rapper Yotuel.Chucho Valdés foi um dos parceiros mais freqüentes, e era com Chucho que ele mais excursionava. Em 1997, foi lançado "Habana", um disco experimental do trompetista Roy Hargrove (selo Verve). O disco de Hargrove reunia Changuito, Angá, Horácio Hernandez e Jorge Reyes, e levou um Grammy, o que ajudou a impulsionar a conquista do mercado internacional pela música cubana naquela década, consolidada pelo Buena Vista.Angá Diaz nasceu em Pinar del Rio, e depois mudou-se para Havana, após ganhar uma bolsa para estudar percussão clássica. Dali, foi para Paris, e depois estabeleceu-se em Barcelona, onde morreu.

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