Morre o maestro do Tropicalismo Rogério Duprat

Morreu às 15 horas desta quinta-feira, aos 74 anos, no Hospital Premier (Zona Sul de São Paulo), o maestro, arranjador e violoncelista Rogério Duprat. Ele foi o autor de arranjos antológicos para os melhores discos do Tropicalismo. Sofria do Mal de Alzheimer e também tinha câncer na bexiga - o que complicava sua situação, porque não podia se operar devido ao Alzheimer. Estava no hospital há três meses, segundo sua família, e já não reconhecia as pessoas de seu convívio. Nascido no Rio de Janeiro, em 7 de fevereiro de 1932, mudou-se para São Paulo em 1955 e por muitos anos viveu em um sítio em Itapecerica da Serra, no interior do Estado.Maestro considerado um dos pioneiros ao romper barreiras entre erudito e popular, foi o grande arranjador dos tropicalistas. Parceiro dos Mutantes, Duprat foi um dos maiores rebeldes da música brasileira. Em 1963, foi um dos signatários do movimento Música Nova, grupo de vanguarda que reunia Gilberto Mendes, Julio Medaglia, Willy Correia, Sanino Hohagen. Na foto do clássico disco Tropicália (1968), ao lado de Caetano, Gal, Gil, Capinam, Tom Zé e dos Mutantes, ele é o sujeito que segura um penico como se fosse uma xícara de chá.Ele ajudou a revolucionar a MPB, mas depois, convicto de que tudo tinha se tornado pastiche e repetição, deixou de confiar na dialética musical e recolheu-se a um sítio em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. ?Tudo que se faz hoje já se fazia há 30 anos. O rap nada mais é do que uma colagem, típica do espírito pós-moderno, que não cria, não acrescenta. O rock repete fórmulas. Eu disse tudo que tinha a dizer naquele período entre os anos 60 e 70?.Mas, segundo seu sobrinho Ruriá Duprat, que também é maestro e produtor musical, Rogério Duprat deixou um disco inédito, uma "transcriação" orquestral dos prelúdios para piano de Debussy, gravada há dois anos. O material foi gravado pela Orquestra Jazz Sinfônica em áudio e DVD, e está em fase de mixagem e finalização. Rogério Duprat deixa três filhos (Raí, Roatã e Rudá) e a mulher, Lali, com quem esteve casado nos últimos 59 anos. O maestro será cremado nesta sexta-feira no Cemitério de Vila Alpina.(Matéria alterada às 18h15, com acréscimo de informações)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.