ED FERREIRA
ED FERREIRA

Morre o compositor Fernando Brant, aos 68 anos

Parceiro de Milton Nascimento, Lô e Márcio Borges, Brant havia sido submetido a dois transplantes de fígado 

O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2015 | 22h55

Fernando Brant, compositor que participou do movimento Clube da Esquina, morreu na noite desta sexta-feira, 12, em Belo Horizonte. Brant tinha 68 anos e fazia tratamentos em decorrência das complicações de um transplante de fígado. Ele havia sido submetido a uma cirurgia na última terça-feira, mas seu organismo apresentou resistências ao órgão novo. De quinta para sexta, os médicos fizeram um novo transplante, que voltou a apresentar problemas. A morte do compositor foi confirmada às 21h40. Parceiro de Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges e Toninho Horta, Brant deixa três filhos, Isabel, Ana Luisa e Diógenes, além de dois netos e a esposa, Leise.

Só ao lado de Milton Nascimento, Brant contabilizou cerca de 200 canções, dentre elas Travessia, Maria, Maria, Planeta blue, Promessas do sol, O vendedor de sonhos, Canção da América, Saudade dos aviões da Panair (Conversando no Bar), Encontros e despedidas, Nos bailes da vida e San Vicente.

Foi com Travessia que ele conquistou o segundo lugar no II Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro. Essa música de 1967 foi a 'inauguração' da fase de compositor de um homem que relutava em escrever suas ideias. Milton conseguiu convencê-lo a fazer sua primeira letra e ela se tornou, justamente, Travessia. Se forem somadas outras músicas, sua produção em parcerias passa das 300 músicas. Além da composição musical, atuou também criando roteiros e letras para balés, teatros e trilhas de filmes e novelas. Um de seus musicais mais vitoriosos, criado ao lado de Tavinho Moura, chamou-se Fogueira do Divino.

Fernando Rocha Brant nasceu em Caldas, Minas Gerais, em 9 de outubro de 1946. Seus pais também eram mineiros e, quanto completou seis anos de idade, transferiu-se com a família para Diamantina. Quatro anos depois, mudou-se novamente, desta vez para Belo Horizonte, onde sua personalidade artística seria formada. Toda sua infância restante e adolescência seriam vividas em Belo Horizonte.

Foi em seus anos de aluno de Direito que Brant passou a envolver-se mais com expressões como a música e o teatro. Seu primeiro emprego, batalhado por esta época, foi como escrivão do Juizado de Menores. Milton Nascimento, que ainda era chamado por Bituca e só conhecido de amigos do bairro, chegou à vida de Brant no início dos anos 60. A vitória em 1967, de Travessia, se tornaria em Brant a certeza de que sua vida passaria pela composição.

Depois descobriu-se jornalista, a partir de 1969, estreando suas primeiras matérias na revista O Cruzeiro. Foi por esta época que a ebulição mineira ganharia contornos entre os amigos e seria chamado de Clube da Esquina (que jamais teve uma sede nem sequer foi um clube), tendo Brant como um de seus primeiros "sócios" . Mais recentemente, em 2014, Brant foi a Brasília participar da audiência pública que discutiu os rumos da arrecadação de direitos autorais no Brasil. Criticou o 'paternalismo estatal' da lei e afirmou que artistas que defendiam mudanças, ligados ao movimento Procure Saber, de Paula Lavigne, eram ingênuos.

Mais conteúdo sobre:
brant

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.