Morre o compositor austríaco Gyorgy Ligeti

O compositor Gyorgy Ligeti, que fugiu da Hungria depois da revolução de 1956 e ganhou fama por sua ópera Le Grand Macabre e por sua participação na música do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, morreu nesta segunda-feira, aos 87 anos, segundo informaram fontes próximas ao músico. Ligeti, considerado um dos principais precursores musicais do mundo no século 20, morreu em Viena em conseqüência de uma grave doença, disse Christiane Krauscheid, porta-voz da Schott Music, radicada na Alemanha. De imediato não foram fornecidos detalhes, mas meios de comunicação austríacos disseram que o compositor passou os últimos três anos em uma cadeira de rodas.Ligeti, filho de pais húngaros, nasceu em 1923 em uma região com predomínio húngaro na Transilvânia, na Romênia. Seu pai e seu irmão morreram assassinados por nazistas. Ligeti adotou a cidadania austríaca em 1967 depois de fugir de seu país ex-comunista. Começou a estudar música em 1941 com Ferenc Farkas no conservatório de Cluj, na Romênia, e continua sua preparação em Budapeste. Mas em 1943 acabou indo para na prisão como judeu sentenciado a trabalhos forçados pelo resto da 2.ª Guerra Mundial."Minha vida na Era Nazista e durante o Regime Comunista era cheia de riscos, e acredito que ainda existe em mim reflexo desse sentimento", disse Ligeti, certa vez, em entrevista à uma agência da Áustria. Depois da guerra, retomou seus estudos com Farkas e Sandor Veress na Academia Franz Liszt de Budapeste. Em 1957, foi convidado por Herbert Eimert para participar de um estudo de música eletrônica na rádio estatal da Alemanha Ocidental e em 1958 recebeu as primeiras aclamações da crítica por sua composição Artikulation. Ligeti alcançou notoriedade por sua técnica que chamou de "micropolifonia", uma combinação de cor e texturas musicais que transcendeu as fronteiras tradicionais da melodia, da harmonia e do ritmo. O chanceler austríaco Wolfgang Schuessel elogiou Ligeti nesta segunda-feira como "o mais importante austríaco da música mundial do século 20" e as autoridades de Viena anunciaram o oferecimento de um túmulo especial em honra ao compositor. Ligeti deixou a esposa, Vera, e o filho, Lukas, percussionista que vive em Nova York.

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