Morre o cantor Noite Ilustrada, aos 76 anos

O cantor Noite Ilustrada morreu hoje em Atibaia, no Estado de São Paulo, aos 76 anos de idade, de câncer. Nascido Mário de Souza Marques Filho, Noite fez grande sucesso em todo o país no final dos anos 50 e início dos 60; sua gravação de Volta Por Cima, de Paulo Vanzolini, marcou época. O enterro do corpo do cantor vai ser nesta terça-feira em Atibaia, às 12h.Nascido em Minas, Noite Ilustrada foi criado no Rio, mas fez carreira e história na noite de São Paulo. Chegou a receber em 2002 o título de Cidadão Paulistano. Violonista, cantor e compositor, Noite gravou mais de 20 discos. O último deles foi Perfil de Um Sambista, que o trouxe de volta aos grandes palcos da cidade.O curioso apelido do cantor surgiu de forma inusitada. Quando o violonista Mário de Souza Marques Filho subiu ao palco na cidade de Além Paraíba, em Minas Gerais, o comediante Zé Trindade, que apresentava o show, não sabia seu nome. Embaraçado, Trindade não perdeu o tino: pôs a mão no bolso e dele saiu um exemplar da revista musical Noite Ilustrada. E o violonista foi assim apresentado ao público: "E agora com vocês, a grande revelação... Noite Ilustrada!". O apelido ficou e a carreira de cantor só avançaria daí para frente. Em meados da década de 50, quando Noite Ilustrada foi viver no Rio de Janeiro, adotou a Portela como escola de samba. Na época, a Portela reinava absoluta, ao lado da Mangueira, no carnaval carioca. A função de Noite na escola foi se apresentar em shows na capital paulista, onde acabou por fixar-se no fim dos anos 50.Já nesta época foi contratado pela Rádio Nacional e a TV Paulista. Era o ano de 1958, o mesmo em que ele estreou em disco, com o samba Cara de Boboca. Quatro anos depois é que Noite Ilustrada teria seu auge: em 1962 gravou Volta Por Cima, que virou hit, e lançou seu primeiro LP, O Ilustre. A partir daí gravou muito. Entre 1963 e 1966, lançou quatro LPs. Nos anos 70 ainda lançaria seis discos. A fase mais produtiva de sua carreira foi até 1982, com o disco A Profecia. Entre 1984 e 1994, tempo em que viveu em Recife, lançou apenas coletâneas.O retorno de Noite Ilustrada aos palcos paulistanos, no ano passado, foi na companhia do seu amigo carioca Nelson Sargento. Sobre sua morte, o bamba Sargento disse: "Se eu tivesse três mil páginas, não seriam suficientes parafalar da importância de Noite Ilustrada. Mas como tenho só duas frases, só vou dizer que é mais um grande sambista que desfalca a nossa músicapopular brasileira. Era um cantor de voz maravilhosa e uma divisão espetacular, mas, como dizia Zé Keti, a gente morre sem querermorrer."

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