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Morre nos EUA o pianista brasileiro José Feghali

Músico foi encontrado morto em sua casa nesta terça-feira, 9

João Luiz Sampaio, Especial para O Estado de S. Paulo

10 Dezembro 2014 | 20h31

Morreu na tarde desta terça-feira, 9, aos 53 anos, o pianista brasileiro radicado nos Estados Unidos José Feghali. Um dos mais destacados músicos clássicos brasileiros, vencedor do Concurso Van Cliburn, ele foi encontrado em sua casa em Forth Worth, Texas, com um tiro na cabeça. A polícia local trabalha com a hipótese de suicídio.

Feghali fez sua estreia profissional aos 5 anos de idade e, três anos mais tarde, já se apresentava como solista da Orquestra Sinfônica Brasileira. Em 1985, obteve a medalha de ouro do Concurso Van Cliburn, nos EUA, um dos mais importantes do mundo. Foi a credencial necessária para que se apresentasse em todo o mundo, ao lado de orquestras como a Filarmônica de Berlim, a Concertgebouw de Amsterdã, a Gewandhaus de Leipzig e a Sinfônica de Londres.

Desde 1990, ele era professor da Texas Christian University. “Estamos profundamente chocados e entristecidos com a morte de nosso amado e respeitado amigo e colega”, disse o diretor da Escola de Música da universidade. “Sua paixão pela música e pela atividade de professor era contagiante.”

Em paralelo à carreira pedagógica, seguiu sua trajetória nos palcos. E nos estúdios. No final do ano passado, lançou um disco dedicado a Chopinn ao lado do violoncelista James Denton. Em 2005, havia participado da gravação das Bachianas brasileiras de Villa-Lobos, com a Sinfônica de Nashville e o maestro Kenneth Schermerhorn.

Em 2012, com o violoncelista brasileiro Antonio Meneses, antigo parceiro nos palcos, fez um recital pela série de Câmara da Osesp. Os dois ofereceram uma interpretação inesquecível de Shostakovich, a Sonata Op. 40. Chopin, Villa-Lobos, Shostakovich. Três autores extremamente diferentes – mas que, pelas mãos de Feghali, tornavam-se símbolo da mesma crença no respeito à partitura e, ao mesmo tempo, da certeza de que cabe ao grande intérprete, a cada execução, reinventar a música que toca. Sem paradoxos.

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