Renato Luiz Ferreira/AE
Renato Luiz Ferreira/AE

Morre no Rio músico Nelson Jacobina

Compositor e violonista faleceu após lutar contra um câncer de pulmão há 15 anos

Jotabê Medeiros - O Estado de S.Paulo,

31 Maio 2012 | 10h59

Atualizado às 11h45 - Co-autor de Maracatu Atômico, uma das canções mais importantes do moderno pop nacional, morreu esta manhã no Rio o compositor e violonista Nelson Jacobina, aos 58 anos. Ele tinha câncer no pulmão havia 15 anos e estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Seu corpo seria sepultado às 16h de ontem no Cemitério São João Baptista, no Rio, onde nasceu.

Parceiro de Jorge Mautner desde 1972, quando este voltou do exílio (na época, era conhecido pelo apelido, Carneiro, por causa dos cabelos encaracolados), Jacobina estava havia quatro anos em processo de metástase, mas continuava fazendo shows ao lado de Mautner. O último foi no domingo, em Jacareí, durante uma reunião dos Pontos de Cultura do Ministério da Cultura do Brasil.

O músico também integrava a Orquestra Imperial desde 2000. "Ele respirava por um fio, mas ia para o palco e era como um milagre, se renovava, se transformava", disse ontem Jorge Mautner, que citou a própria canção feita com o parceiro para homenageá-lo: "Todo quadro negro é todo negro é todo negro/Que eu escrevo seu nome nele só pra demonstrar o meu apego". Eles se conheceram quando Mautner dava uma palestra sobre Nietzsche e a Contracultura. "Toda minha obra musical foi feita com ele, tocando ou compondo", disse Mautner. Entre seus clássicos, estão Lágrimas NegrasÁrvore da Vida e Samba-jambo.

Maracatu Atômico, composta no final de 1973, foi gravada por mais de 40 artistas. Gilberto Gil, que a celebrizou, definiu a canção como "um manifesto da alma do homem da história deste tempo, o caminho do corpo universal, o espírito de Deus". A canção foi também uma espécie de manifesto do mangue beat, na intepretação de Chico Science e a Nação Zumbi, nos anos 1990.

Filho de intelectuais, o pai, Nelcy Rocha Pires, um famoso positivista, morreu quando ele tinha apenas um ano, e a mãe, Tereza Eloá Jacobina, casou-se de novo com o cineasta Fernando Coni Campos (diretor de Ladrões de Cinema). Por conta disso, Nelson cresceu e foi educado numa atmosfera de debate artístico, tradição que manteve até a morte: estudava filosofia, debatia cultura e também era ativista ambiental.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.