Dan Grossi/AP
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Morre Lesley Gore, cantora de 'It’s My Party' e 'You Don't Own Me', aos 68 anos

Intérprete marcou os anos 1960 com canções feministas antes mesmo de completar 18 anos; ela tinha câncer no pulmão

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

17 de fevereiro de 2015 | 17h43

Uma voz feminista improvável e adocicada, em meados dos anos 1960, nos Estados Unidos, colocou o então namorado no devido lugar: "Você não é meu dono, eu não sou um dos seus brinquedos". A dona da voz que chegou ao segundo lugar das paradas do país, em 1964, com You Don’t Own Me, Lesley Gore, tinha apenas 17 anos quando gravou a canção composta por John Madara e David White, e entrou para a história.

Na última segunda-feira, seu canto foi silenciado por um câncer no pulmão, de acordo com a confirmação de Lois Sasson, companheira dela por 33 anos, ao jornal The New York Times. Lesley tinha 68 anos e morreu em Nova York, mesma cidade na qual nasceu, em 1946.

You Don’t Own Me foi lançada um ano depois de Lesley alcançar o estrelato com seu maior hit - embora não tão importante, no contexto sociocultural -, It’s My Party, sucesso absoluto em 1963, ao alcançar o topo das paradas de pop e R&B. A música tão bem produzida por ninguém menos do que Quincy Jones foi capaz de entrar na cultura pop do país através dos versos sofridos: "It’s my party, and I’ll cry if I want to / You would cry too if it happened to you" ("a festa é minha, e eu choro se eu quiser / Você também choraria se isso acontecesse contigo", em tradução livre).

Nascida no Brooklyn, nos Estados Unidos, Lesley Sue Goldstein chamou a atenção de um instrutor de canto ainda adolescente, pela voz cristalina e meiga, e foi chamada por ele para gravar algumas faixas, como teste. As audições chegaram a Jones, na época, responsável pelo departamento artístico da gravadora Mercury Records, e caíram no gosto do produtor. It’s My Party teve o lançamento realizado às pressas, uma semana após a gravação, em uma corrida contra o tempo promovida por Jones e Phil Spector, que havia registrado a canção pelo grupo The Crystals. O sucesso da música canção e a situação trágica dos seus versos originaram Judy’s Turn to Cry, um final feliz para a protagonista da faixa - e triste para Judy, a adversária no amor do rapaz.

Lesley teve o sucesso sufocado pela onda psicodélica que tomou conta das rádios norte-americanas na década de 1970. Mudou-se para a Califórnia e decidiu começar a compor as próprias músicas, mas passou longe de experimentar o sucesso tremendo do início de carreira. Em 1981, ela foi indicada para o Oscar de canção original por Out Here on My Own, presente no filme Fama, de Alan Parker. Recentemente, ela trabalhava em uma autobiografia. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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