Morre Jimmy Scott, o menor gigante do jazz

Parecia uma mulher cantando, com seu registro cristalino de contralto

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2014 | 14h38

Parecia uma mulher cantando, com seu registro cristalino de contralto. Sua presença de palco, o estilo, o jeito de "diagramar" os versos da canção o tornaram um gigante entre os crooners, influência de Ray Charles e Marvin Gaye e idolatrado por muitos ídolos pop, como Lou Reed, Madonna, David Bowie e Anthony Hegarty.

Nascido James Victor Scott em Cleveland, Ohio, morreu durante o sono na quinta-feira, 12, aos 88 anos o cantor lendário Jimmy Scott, um paradigma do cantor da noite. Criado em orfanatos após o atropelamento da mãe e a perda do pai, ele foi diagnosticado com uma doença rara na infância, a Síndrome de Kallmann, que o tornou miúdo, de desenvolvimento físico precário, o que lhe valeu o apelido de Little Jimmy.

"Ele é o único cantor que me faz chorar", disse Madonna. "É como ver ao mesmo tempo Hamlet e Mcbeth interpretados numa mesma canção", disse Lou Reed. Como um Michael Jackson de boate, Jimmy teve um de seus raros hits nos anos 1950, Everybody's Somebody's Fool. Fez uma aparição em Twin Peaks, a série de David Lynch. Gravou nos anos 1940 com Lionel Hampton e depois com Charlie Parker, cantou no disco Magic and Loss, de Lou Reed e foi nomeado Mestre do Jazz pelo National Endownment of Arts em 2007. Sua trajetória é uma cruzada em prol do refinamento da arte do interprete.

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