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Morre em Minas o cantor Madan

Especialista em musicar poemas, artista sofreu um surto psicótico

O Estado de S. Paulo

14 Setembro 2014 | 16h10

Morreu no sábado, aos 53 anos, em São Thomé das Letras (MG), o cantor e compositor paulistano Madan Neves, especialista na arte de musicar poemas, como Refrão à Maneira de Brecht, de Haroldo de Campos. As circunstâncias da morte não foram divulgadas, mas amigos informaram que o músico tivera um surto psicótico na semana passada e, já enfraquecido por um período de vulnerabilidade emocional, seu coração não resistiu. O corpo foi sepultado às 17 horas de sábado no cemitério de São Thomé, ao lado da Matriz.

Madan fez discos com poemas de Adélia Prado, José Paulo Paes, Arnaldo Antunes, Ademir Assunção, Augusto e Haroldo de Campos, Elisa Lucinda, Frei Betto, Glauco Matoso, Olga Savary, Omar Khayyam, entre outros. Tinha quatro CDs e músicas gravadas por  Zeca Baleiro, Thomas Roth, Lula Barbosa, Elisa Lucinda, Kléber Albuquerque e Carlos Navas. Também fez trabalhos na linha new age que fizeram sucesso entre autores místicos.

Em 1998, foi finalista do prêmio Apetesp com as músicas compostas para a peça infanto-juvenil Monstro Brigueiro, do ator e dramaturgo Isser Korik. Em 2005, sua canção Cabeça (poema de Adélia Prado), foi incluída na coletânea (algum duplo) The Best of Brasil, juntamente com pesos-pesados da MPB como João Gilberto, Elis Regina, Chico Buarque e Caetano Veloso. No mesmo ano, participou do disco Rebelião na Zona Fantasma, do poeta paulista Ademir Assunção (ganhador do prêmio Jabuti de poesia de 2013 com A Voz do Ventríloquo).

No Facebook, o poeta Assunção escreveu: “A contribuição de Madan Neves para a canção brasileira é enorme. Seu trabalho refina a nossa sensibilidade e a nossa percepção. Por que artistas como ele estão sendo soterrados pela mediocridade? Descansa em paz, amigo. Você está na galeria dos grandes talentos. Obrigado por tudo”.

Já o cantor Carlos Navas registrou: “Há muitos anos não tinha noticias do Madan, de quem gravei Cateretê, no meu segundo CD (2000). Nada me resta a fazer, se não orar para que ele seja recebido em luz no outro plano e possa se recuperar e re-harmonizar. Que sua obra permaneça e chegue cada vez a mais ouvintes!”.

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