Morre em Miami Nam June Paik, o pai da videoarte

O artista de origem coreana Nam June Paik, considerado o pai da videoarte, morreu domingo à noite, de causas naturais, em seu apartamento de Miami, Flórida, aos 74 anos. Paik sofreu um derrame cerebral há dez anos e seu corpo foi velado ontem em seu estúdio nova-iorquino. A morte de Paik foi anunciada em sua página na internet e comunicada pelo sobrinho Ken Paik Hakuta a Song Tae-ho, diretor da fundação cultural coreana que pretende criar um museu em sua homenagem.Integrante do grupo internacional Fluxus, que congrega artistas de tendência conceitual, Nam June Paik combinou como nenhum outro a música e as artes visuais. Pioneiro no uso do vídeo como expressão artística, explorou a imagem eletrônica na criação de filmes, performances e instalações que alteraram definitivamente o panorama das artes plásticas em 1963, quando fez sua estréia em Wuppertal, Alemanha. Nessa exposição individual, June Paik usou 12 aparelhos de televisão espalhados por uma galeria. Mais tarde, repetiu a experiência recorrendo a um imã, usado para interferir nas imagens.Um ano após essa mostra, o artista coreano começou a trabalhar com a violoncelista Charlote Moorman e fixou residência em Nova York. Numa performance histórica (TV Cello) com a intérprete, em 1971, ele usou aparelhos de televisão que imitavam a forma de um violoncelo. Ao toque de Charlotte, sua imagem virtual surgia na tela como numa collage cubista, ao lado de outros violoncelistas. Outra obra muito popular de June Paik mostra uma estátua de Buda contemplando a própria imagem em circuito fechado de televisão.Nascido em Seul em 1932, June Paik começou a aprender composição musical na Coréia, mudando-se ainda jovem para Tóquio, onde escreveu uma tese sobre o compositor austríaco Arnold Scoenberg, pai do da música dodecafônica. O encontro com o compositor norte-americano John Cage, também pioneiro no diálogo interdisciplinar com as artes visuais, decidiu o destino do músico, aos 26 anos.Com a consagração, June Paik assumiu o papel de Cage junto a artistas da nova geração, realizando trabalhos com músicos pop como o cantor inglês David Bowie ou a performer americana Laurie Anderson nos anos 1980. Nessa mesma década o artista começou a trabalhar com esculturas a laser, criando ambientes que interagiam com o espaço arquitetônico de museus. Seus trabalhos de maior relevância nos últimos anos foram The More The Better, que reuniu 1003 monitores de televisão nos Jogos Olímpicos de Seul (1988), e a obra que representou a Alemanha na Bienal de Veneza de 1993, feita em parceria com o alemão Hans Haacke.

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