Morre Brenda Fassie, voz da resistência ao apartheid

Brenda Fassie, a primeira pop star negra da África do Sul a levantar a voz contra o apartheid, morreu ontem vítima de complicações decorrentes de um ataque de asma. Internada desde o dia 26 de abril, a cantora sofreu com complicações cardiorrespiratórias e entrou em coma. Morreu nas primeiras horas de domingo, aos 39 anos.Brenda é um dos nomes mais populares do país. No hospital, recebeu a visita do presidente do país, Thabo Mbeki. "Ela fazia com que nossas almas se elevassem, aonde quer que sua voz chegasse", disse Mbeki. Milhares de pessoas se reuniram às portas do hospital em Sunninghill, em Johannesburgo, para torcer pela recuperação da cantora, incluindo Winnie Madikizela-Mandela, ex-mulher do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela.A cantora ficou famosa nos anos 80, primeiro nos subúrbios das grandes cidades, depois em toda África do Sul e em outros países do continente, e ainda na Austrália, Europa e Estados Unidos. Suas músicas falavam do cotidiano dos bairros miseráveis do país, de amor e de sofrimento. Cantou os sonhos dos jovens negros e combateu o apartheid em músicas como Black President. Acabou ganhando o apelido de a "Madonna dos Subúrbios". Nos anos 90, sua carreira sofreu com o fim de um casamento, a luta para largar as drogas e a trágica morte de sua amante, em 1995, de overdose.

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