The New York Times
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Morre, aos 87 anos, o violonista Julian Bream

Ele ajudou a ampliar o repertório de seu instrumento ao tocar peças de alemães e japoneses

Allan Kozinn, The New York Times

15 de agosto de 2020 | 18h56

Julian Bream, o violonista inglês que representou para seu país o que Andrés Segóvia (1893-1987) foi para a Espanha, morreu ontem, 13, em sua casa em Wiltishire, Inglaterra, aos 87 anos, de causa não revelada pelo empresário do músico. Bream foi fundamental para a reintrodução do alaúde como instrumento de concerto e teve um papel importante na divulgação do repertório contemporâneo, sendo escolhido por compositores como Britten para gravar em primeira mão peças que depois foram incorporadas ao repertório de outros violonistas.

Bream foi um passo além de Segovia, substituindo o fraseado romântico do espanhol por um estilo menos pomposo, mais contemporâneo, ampliando o repertório de seu instrumento ao buscar em compositores alemães, franceses e ingleses obras que não faziam parte do universo tradicional do violão, embora não tenha dispensado a herança latina ou espanhola.

Ele reviveu, por exemplo, obras do espanhol Fernando Sor e do italiano Mauro Giuliani, dois importantes autores e violonistas do século 19. Bream assinou também várias transcrições de obras barrocas e clássicas, entre elas suítes de Bach e sonatas de Scarlatti, assim como peças de Purcell, Cimarosa, Diabelli e Schubert.

Seu legado mais expressivo, contudo, são as peças encomendadas a compositores como Britten (Noturno, de 1963), William Walton (Cinco Bagatelas, 1971) e peças de contemporâneos como o alemão Hans Werner Henze e o japonês Toru Takemitsu. Bream começou sua carreira em 1951 e, ao sofrer um acidente em 1984 e passar por uma cirurgia, teve de se adaptar à nova condição, mas não parou de tocar ou gravar. Sempre de modo discreto. Ele preferia fazer suas gravações numa capela perto de sua casa, à noite. 

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