Morre aos 82 a pianista Yara Bernette

O Brasil perdeu na madrugada desábado uma de suas principais pianistas, a professora YaraBernette, vítima de uma ataque cardíaco. Ela havia acabado decompletar 82 anos e dedicou-se por mais de sete décadas aopiano. Ocupava a cadeira número 17 da Academia Brasileira deMúsica.Nascida em Boston, em março de 1920, Yara mudou-se com afamília para o Brasil com apenas 6 meses e logo foinaturalizada. Seis anos mais tarde começava a estudar piano comseu tio, José Kliass, uma das mais destacadas figuras da vidamusical paulistana da época e aluno de Martin Krause, um dosúltimos pupilos de Franz Liszt.Sua estréia ocorreria cinco anos mais tarde, em umconcerto infantil no Teatro Municipal de São Paulo. Em 1938, com18 anos, fazia sua estréia profissional em um concerto com aOrquestra Sinfônica Municipal, regida pelo maestro Souza Lima.Quatro anos depois toca pela primeira vez nos Estados Unidos,mais precisamente no Town Hall de Nova York, encorajada porninguém menos que Arthur Rubinstein e Cláudio Arrau.A esse concerto se seguiram, durante a década de 40,turnês pelo Estados Unidos e Canadá, e uma série de voltas aoBrasil e a outros países da América Latina para apresentações ecursos. A estréia européia só viria alguns anos mais tarde, em1955, quando tocou, como solista da Orquestra do Conservatóriode Paris, as Bachianas n.º 3 de Villa-Lobos, com o própriocompositor como regente.Concertos e recitais em Viena, Amsterdã e Londres vieramem seguida, assim como a medalha Arnold Bax Memorial Award,recebida pela distinção de melhor intérprete de músicacontemporânea. Em 1958, Yara fez, em grande estilo, sua estréiaem Berlim, durante o Festival Brahms, no qual se apresentou comosolista da Filarmônica de Berlim, sob regência de Karl Böhm.Elogiada pela crítica por onde passava - o New York Post, por exemplo, elogiou "seu virtuosismo espetacular" - Yaralogo tornou-se concertista bastante requisitada em todo o mundo,mas também dedicou-se ao ensino. Durante mais de 20 anos foichefe da cadeira de piano da Escola Superior de Música e ArteDramática de Hamburgo, na Alemanha, tendo sido escolhida entre130 candidatos de diversos países.Seu trabalho foi documentado em grande número degravações, em especial para rádios alemãs, que em sua maioriacontinuam inéditas. No ano passado, no entanto, dentro da sérieGrandes Pianistas Brasileiros, o selo Master Class lançou umadestas gravações, na qual ela interpreta duas complicadas peçasdo neo-romantismo: o Concerto n.º 2 para Piano e Orquestra Op.50 de Nikolai Medtner, de 1926, e o Concerto n.º 2 para Piano eOrquestra de Everet Helm, de 1956. Na primeira peça, toca aolado da Filarmônica de Munique sob regência de Rudolf Kempe. Nasegunda, a orquestra é a Sinfônica de Bamberg e a regência é deFerdinand Leitner.Com um pouco mais de paciência, você também encontra asua gravação dos Prelúdios Op. 23 e Op. 32 de Rachmaninoff. Esta foi a primeira gravação mundial dessas peças, realizada pelaDeutsche Grammophon na década de 70. Fora de catálogo, ela podeser encontrada em sebos e lojas especializadas. Talvez levetempo, mas no caso dela, vale a pena.

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