José Patricio/Estadão
José Patricio/Estadão

Morre aos 70 anos o sambista Almir Guineto

Ele lutava contra problemas renais crônicos e diabetes

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2017 | 13h50

(Atualizada às 22h55)

RIO - Um dos fundadores do grupo Fundo de Quintal, nome com inscrição garantida nos 100 anos de história do samba, o compositor Almir Guineto, coautor de sucessos como Coisinha do Pai, Lama das Ruas, Corda no Pescoço e Batendo na Palma da Mão, morreu na sexta, 5, no Rio, aos 70 anos. O corpo será velado nesta sábado, a partir das 16 horas, na quadra do Salgueiro. No domingo à tarde será o sepultamento, no cemitério de Inhaúma. 

O sambista estava internado havia dois meses no Hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tratando uma pneumonia e complicações provocadas pela diabetes. Desde o ano passado, vinha sofrendo com problemas renais, o que o afastou dos shows e aparições públicas.

“Fui visitá-lo recentemente no hospital e não me contive, as lágrimas desceram. Ele me deu um aperto de mão, sem falar nada. Estava muito fraquinho, bem magro. Não falava mais, estava com o cabelo todo branquinho. Ele nunca apareceria assim em público. O sambista é sempre vaidoso”, contou Bira Presidente, também fundador do Fundo de quintal.

“Era como se fosse um irmão nosso. Já estava morando em São Paulo quando houve a primeira formação do Fundo de Quintal, em 1980, e eu o convidei para fazer parte. Era mestre dos mestres, um homem que trazia dentro dele uma sensibilidade muito grande para versar, para cantar partido alto. Tinha uma filosofia incomparável, a voz do verdadeiro malandro, um canto diferente de todo mundo”, lamentou.

“É um momento de muita tristeza para todos nós. Uma perda grande demais para o mundo do samba. Almir nos deixou um legado imenso de composições. De certa forma, acho que agora ele pôde descansar. Os últimos meses foram de muito sofrimento”, atestou também Ubirany, integrante do grupo.

Nascido no Morro do Salgueiro, na zona norte do Rio, Almir de Souza Serra era salgueirense histórico, tendo visto, ainda criança, a escola de samba nascer, para, adulto, ser um de seus diretores. Mais tarde, com os compromissos e a fama que seus discos trouxeram, afastou-se do dia a dia da agremiação. Era irmão de Louro (Lourival de Souza Serra, o caçula da família), a quem antecedeu como mestre de bateria, filho de Iracy , um dos fundadores da escola, e Dona Fia, figura respeitada na estrutura da escola.

A vida profissional de Almir começou na década de 1970, quando ele integrou o grupo de compositores do grupo carnavalesco Cacique de Ramos. Incorporou a sonoridade do banjo com braço de cavaquinho ao samba tocado ali. O parceiro e amigo de verso e copo Zeca Pagodinho tem uma frase famosa que diz: “Banjo no samba só existem dois: Almir Guineto e Arlindo Cruz”.

No Cacique ele iria formar, sob as bençãos da “madrinha” Beth Carvalho, o Fundo de Quintal, com Bira Presidente, Ubirany, Jorge Aragão, Neoci, Sereno e Sombrinha, no qual ficou por pouco tempo. Também por um período breve, foi cavaquinista do grupo dos Originais do Samba, do qual fazia parte o irmão mais velho, Chiquinho (Francisco de Souza Serra). 

Como compositor, foi gravado por Zeca, Beth, Alcione, Jovelina Pérola Negra, entre outros intérpretes. Como cantor, lançou LPs com alguma regularidade nos anos 1980 e 1990. Cantava hits de companheiros, como Insensato destino, Caxambu, Mel na boca, Saco Cheio, Jiboia e Conselho, com tamanha propriedade, que o público acreditava serem composições suas.

Por intermédio das redes sociais, a família do cantor agradeceu pelas orações e o carinho de todos os fãs e admiradores. As informações sobre o velório e o sepultamento ainda não foram divulgadas.

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