Morre a cantora Vange Leonel

Artista paulistana tinha 51 anos e alcançou a fama com 'Noite Preta'; ela também era militante dos direitos LGBT

Julio Maria, Renato Vieira, O Estado de S. Paulo

14 Julho 2014 | 18h30

Morreu nesta segunda-feira, 14, a cantora paulistana Vange Leonel. Ela enfrentava um câncer no ovário e estava internada no hospital Santa Isabel, em Santa Cecília, região central de São Paulo. Vange atingiu o sucesso definitivo com a música Noite Preta, que serviu como abertura da novela Vamp (1991). 

Em forma de poesia, a companheira de Vange, Cilmara Bedaque, confirmou a morte no Twitter, no fim da tarde de ontem. “Ela então sonhou que era livre / do cateter, das agulhas em suas veias / do buraco em seu peito / eu só pude dizer: você é livre.” A jornalista Monica Waldvogel, a cantora Karina Buhr e o deputado Jean Wyllys postaram mensagens de pêsames nas redes sociais.

Além de cantora, Vange, 51 anos, prima do cantor Nando Reis, era também compositora, escritora e ativista pelas causas LGBT. Suas principais gravações saíram nos discos Vange (lançado em 1991, pela Sony Music) e Vermelho (de 1996, pela Medusa Records). Antes de seguir carreira solo, Vange fez parte da banda Nau, com a qual lançou apenas um disco, em 1987. Como escritora, publicou Lésbicas (Planeta Gay Books; 1999); Grrrls: Garotas Iradas (Edições GLS, de 2001) e As Sereias da Rive Gauche (Editora Brasiliense, 2002).

Mas foi mesmo como vocalista da banda Nau que Vange teve sua primeira visibilidade e começou a chamar atenção da cena roqueira do País. Ao lado do baixista Beto Birgher, fazia um rock contestador. Seu primeiro videoclipe foi de Imagens de Outra Guerra, de 1985, gravado na casa paulistana Madame Satã. Antes da Nau, formou com Nando Reis a banda Os Camarões. Na década de 1990, chegou a receber um Prêmio Sharp como artista revelação de pop rock. 

Com o Nau, fez sua estreia em disco participando da coletânea Não São Paulo, lançada pelo selo Baratos Afins, em 1987. A música que interpretaram foi Madame Oráculo. Logo depois, no mesmo ano, sairia o primeiro disco da Nau, pela CBS. Ao lado de João Gordo e Marcinha, participou também do primeiro disco da banda de rock As Mercenárias, intitulado Cadê as Armas?. Os anos 90 trouxeram à roqueira uma visibilidade maior, assim que ela lançou seu primeiro CD solo pela Sony. Chegou a participar também da coletânea O Início, o Fim e o Meio, em homenagem a Raul Seixas.

Atualizado às 19h02.

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