Moreno e banda faz show no MAM

E o bom filho à casa torna. Uma casa menor, mais aconchegante, mais propícia ao tipo de som que o trio Moreno + 2 faz - MPB com retoques eletrônicos - um banquinho e um sintetizador. Hoje e sábado, Moreno Veloso e seus companheiros Alexandre Kassin e Domenico Lancellotti se apresentam no Museu de Arte Moderna (MAM) do Ibirapuera no show do CD Máquina de Escrever Música, lançado em outubro. Depois de se apresentar no Free Jazz, onde a música do grupo não se adaptou bem ao grande espaço - "era uma dimensão errada, mas acho que quem conseguiu ouvir gostou", diz Moreno -, o trio retorna ao local que deu origem a tudo. Em 1998, o artista plástico Carlos Barmak, coordenador de um projeto educativo do MAM, convidou Moreno para reinaugurar a sala de concertos do museu. Moreno chamou dois amigos: Kassin para tocar contrabaixo e Lancellotti para cuidar da percussão eletrônica e da pintura de um cenário durante a apresentação. Moreno juntou um punhado de canções de que gostava, outras de amigos e algumas próprias. Gostaram tanto do resultado que resolveram oficializar isso em disco. Arsenal eletrônico "Eu não estava elaborando nada, mas percebi que tinha coisas bem minhas, particulares, aconteceu naturalmente", conta Moreno. No CD há canções de Moreno (Para Xó), parcerias como Sertão (Moreno e Caetano Veloso), versões (Esfinge, de Djavan) e músicas de amigos (Eu Sou Melhor que Você, de Maurício Pacheco). Máquina de Escrever Música é um disco de bossa nova, marcado pela influência eletrônica que aparece nas músicas pelas mãos de Lancellotti - e de sua parafernália: bateria eletrônica, sequencer e sampler - e pela voz de Caetano. O timbre e os maneirismos de Moreno lembram muito os do pai. "Não me importo com as comparações. Podem comparar, a questão é que alguns fazem isso bem e outros, mal". O nome do disco é uma homenagem a Tom Jobim, que cunhou a frase ao chegar no País com um computador, e uma brincadeira com o modo como Lancellotti usa seu arsenal eletrônico. "Ele parece estar datilografando, como um escrivão que registra o julgamento", explica Moreno. A apresentação no MAM ainda terá versões para músicas como Night and Day, de Cole Porter, Volkswagen Blues, de Gilberto Gil, e outras que podem incluir de Luís Gonzaga a Roberto Mendes, compositor baiano. O novo show no museu pode render também novas idéias. "Todos têm seus projetos, em breve pode estar saindo o Domenico + 2", diz Moreno. "Além de pintar, ele cria músicas na hora, é um poeta. Com certeza seria algo bem experimental." Moreno + 2 - Museu de Arte Moderna (Parque do Ibirapuera, portão 3, s/nº, tel.: 5549-9688). Hoje e amanhã, às 21 h. De R$ 15 a R$ 7,50.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.