Monarco traz seu samba a São Paulo

São Paulo virou a segunda casa dos sambistas da velha-guarda carioca. Depois de diversos eventos que se concentraram na divulgação da música desses autores, têm sido cada vez mais comuns as apresentações individuais de Nelson Sargento, Guilherme de Brito, Jamelão e outros bambas na cidade. Legítimo representante dessa nobre linhagem, o portelense Monarco é uma das boas atrações deste feriado. O sambista estará amanhã e sábado no Villaggio Café, famoso reduto do samba paulistano.Monarco seguiu a difícil trajetória dos compositores revelados nas escolas de samba, a exemplo de Cartola e Nelson Cavaquinho, que precisaram penar muito para conseguir seu lugar ao sol. Monarco cresceu no subúrbio de Osvaldo Cruz, onde, logo cedo, começou a freqüentar a Escola de Samba da Portela. Lá, ainda criança, conheceu o lendário Paulo da Portela e todos os maiores nomes da agremiação. Paulinho da Viola - As primeiras composições de Monarco foram criadas para pequenos blocos carnavalescos, mas o que impressiona é a idade que tinha quando começou esse trabalho: 11 anos. Logo depois dessa primeira fase, aos 17 anos, já integrava a ala de compositores da Portela. Hoje em dia, Monarco é o maior líder da tradicionalíssima velha-guarda da Portela, fazendo jus ao seu aristocrático apelido (seu nome de batismo é Hildemar Diniz).Porém, mesmo reverenciado nas mais seletas rodas-de-samba do Rio, sua primeira gravação só foi acontecer em 1970, quando o filho mais querido da escola azul e branco, Paulinho da Viola, se empenhou na produção de um disco com a velha-guarda - o histórico Portela Passado de Glória. A partir daí, Monarco pôde levar sua bela produção e sua voz curtida em incontáveis pagodes para o grande público. Pouco depois, o sambista começou a lançar álbuns próprios - três, no total - e a comprovar sua qualidade como compositor através de verdadeiras jóias interpretadas por outros artistas, entre elas O Lenço (por Paulinho da Viola), Vai Amor (por Clara Nunes), Proposta Amorosa (por Roberto Ribeiro) e Coração em Desalinho (por Zeca Pagodinho). A imprensa, nos últimos tempos, tem noticiado um movimento de recuperação do samba tradicional que envolve intérpretes de todas as idades, compositores "da antiga" e novos autores, que têm sua principal fonte de inspiração no estilo simples e eficiente de Ismael Silva, Noel Rosa e cia. O que há de muito especial numa apresentação de Monarco é a oportunidade de se ouvir um dos raros sambistas vivos que tiveram contato direto com os grandes criadores das escolas de samba cariocas e, ao mesmo tempo, um compositor que, aos 68 anos de idade, não deixou de soar contemporâneo - que o digam Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e outros intérpretes que beberam (e ainda bebem) muita água dessa fonte. Monarco no Villaggio Café, Praça Dom Orione, 298, Bela Vista, tel.: 251-3730. Ingressos a R$ 15.

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