Mombojó e Nação Zumbi em grande encontro no Citibank Hall

Os fãs estão chamando de Grande Encontro o show que a Nação Zumbi e o Mombojó fazem nesta sexta-feira no Citibank Hall. As duas bandas pernambucanas vêem a brincadeira com bom humor. O Mombojó, uma das mais talentosas bandas da nova geração, vai abrir o show da Nação, em turnê de lançamento do sexto álbum: "Futura", sem dúvida o mais sofisticado e maduro de sua carreira. Mas que fique claro: o poder da Nação, já definida pelo Estado como a ´mais poderosa´ da atualidade, não está nas campanhas de divulgação nem no poder do lobby. O poder está no som. E isso basta.Jorge Du Peixe, que comanda os vocais da Nação, não gosta do termo ´abrir´. "Todo mundo toca junto. Somos parceiros." Chiquinho, responsável pelos teclados e samplers do Mombojó, agradece: "Ouvir Du Peixe falar assim é motivo de orgulho. Apesar de a gente fazer muita coisa junto, nossa relação ainda é de fã e ídolo. Eles são referências eternas para a gente, que ouve o som desde a época do Maracatu Atômico."Por falar em maracatu, a Nação não toca mais maracatu de baque virado (o gênero urbano do maracatu). "Nem de baque virado, nem de baque solto. Nós estamos mudando sempre", comenta Du Peixe diante da questão. "Mas nunca deixamos a percussão em segundo plano. Simplesmente trouxemos outros elementos. Demos mais espaço para que todos pudessem entrar no disco. Há uma percussão mais contida, mas não quer dizer que esteja em segundo plano."Neste trabalho, os rapazes contaram com a contribuição preciosa do produtor americano Scotty Hard. "Scotty tem esse estilo minucioso de mixar. Corta um instrumento aqui para dar espaço para outro", explica Du Peixe. Por isso, "Futura" foge do clichê do som de ´um bloco só´. Tem nuances, que podem ser descobertas a cada audição, incluindo a tão importante percussão. "Não é o caso de abolir. O baque vai estar sempre ali. A gente já cansou de dizer que não formamos uma banda de percussão. Nem de maracatu. Usar a batida é direito nosso, é da nossa cultura. Assim como o frevo e o coco, mas às vezes aparece de uma maneira implícita. As pessoas nos cobram muito isso, talvez comparando com os primeiros discos, mas há um curso natural de mudança", defende o vocalista. "Temos um baque nosso, o baque de arrodeio, que faz uma brincadeira com a palavra loop em inglês. Brincamos com o maracatu de uma maneira orgânica, uma perspectiva nossa. Quando se fala em Recife, só se fala em maracatu. É preciso conhecer outras coisas. Isso satura."Por tudo isso, a banda, compreensivamente pouco afeita a dar muitas explicações sobre seus discos, consolida hoje este novo trabalho. "Com o tempo, fomos digerindo o disco atual, adaptando. Estamos num ponto alto, tocando muito fora e no Brasil, fazendo ajustes mínimos, mas que fazem efeito. E a sintonia entre nós e o público tem sido boa", comenta Du Peixe.O tom minimalista, lisérgico, a viagem psicodélica em branco e preto de Futura tem sido digerida e aprovada pelo público, sempre tão afeito ao baque forte da banda. "Ter tido esse tempo para cair na estrada e afinar o disco é importante. Até nós mesmos, que estamos muito dentro do disco, temos de sair um pouco para ver de outra perspectiva", diz Du Peixe, que promete levar para o palco hoje uma versão mais reggae da clássica ciranda A Praiera, e até Beatles.O Mombojó também já dá provas de que não precisa provar mais nada a ninguém e mostra mais uma vez seu ótimo "Homem-Espuma". Assim como a Nação, os músicos não precisam mais apelar para clichê de afirmar sua pernambucanidade a cada acorde. "Não há comparação entre "Futura" e "Homem-Espuma", mas Lúcio Maia (guitarrista) produz três faixas do nosso disco. E Jorge fez a nossa capa. De certa forma, temos muito em comum", comenta Chiquinho, que está feliz com a repercussão do novo clipe da banda, O Mais Vendido, na MTV. "Fiquei surpreso de um clipe nosso concorrer com nomes como Marisa Monte e Los Hermanos." Nação Zumbi e Mombojó. Citibank Hall (3.150 lug.). Av. dos Jamaris, 213, 6846-6040, Moema. Hoje, 22 h. R$ 40 e R$ 120

Agencia Estado,

25 de agosto de 2006 | 11h52

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