Mombojó, a revelação do Recife

Felipe S (voz e letras), Samuel (baixo), Vicente Machado (bateria), Marcelo Machado (guitarra), O Rafa (flauta), Chiquinho (teclado e sampler) e Marcelo Campello (violão, cavaquinho e escaleta), têm entre 17 e 22 anos, mas tocam e utilizam uma extensa gama de referências de modo a deixar muito veterano a comer poeira. Eles são o Mombojó, a grande revelação do ano que vem do Recife e toca hoje no projeto Prata da Casa, no Sesc Pompéia, mostrando as músicas de seu disco de estréia, Nadadenovo, e outras inéditas. O grupo viaja desfalcado. Campello, que cuida da harmonia, sofreu um acidente de carro na semana passada. De pouco em pouco, o Mombojó começou a repercutir fora de Pernambuco e agora sai do Estado pela primeira vez. Depois do Sesc Pompéia o grupo toca sábado no Curitiba Pop Festival. No dia 15 volta a São Paulo dividindo a noite com os Aboministas no Urbano. No dia 17 é a vez do Ballroom, no Rio. Nova cara do mangue beat? Dez anos depois do lançamento dos discos inaugurais do movimento - Samba Esquema Noise, do mundo livre s.a., e Da Lama ao Caos, de Chico Science e Nação Zumbi - que os integrantes do Mombojó ouviram quando crianças, eles surgem com outros conceitos. "O que temos conseguido é fruto do que eles fizeram nos anos 90. Todo mundo tenta fazer uma coisa plural", diz Felipe, esclarecendo que não se pode colocar tudo que vem de lá no mesmo saco. Alguma influência há, principalmente do mundo livre s.a., mas o Mombojó, como o nome do septeto, não se parece com nada. Não espere encontrar guitarras pesadas de rock com tambores de maracatu. O disco junta surf music, tecladinho à moda de Ed Lincoln, bem anos 60, como várias outras influências, desde rock, bossa nova, jovem guarda, até jazz e samba. Eles têm até uma banda paralela, Del Rey, que toca só covers do Roberto Carlos daquela fase mais divertida. Há discos em que se pode apontar uma surpresa a cada faixa. Nadadenovo tem várias dentro de uma música só. "Às vezes são quatro em uma", diverte-se Flávio. "É que a gente não gosta de coisas lineares e são muitas cabeças pensando ao mesmo tempo." O título do disco, explica ele, não quer dizer que não tenha nada de novo. "É mais para confundir. Andei lendo muito sobre bossa nova e quando fomos fazer o disco, tivemos a idéia despretensiosa de fazer algo ligado a Chega de Saudade, que veio para diferenciar do que se fazia antes." A bossa comparece, de várias maneiras, seja na batida do violão, seja na mistura com drum´n´bass, seja na voz minúscula à moda de João, ou na guitarra no ritmo suingado do Jorge Ben dos anos 60, como em Merda. Eu já cai/ Já tô no chão/ E tô torcendo pra você/ Ficar na merda/ Como eu também estou, diz trecho da letra. Adelaide, que tem letra de China (ex-Sheik Tosado), parceiro em outras do CD, começa como bossinha arrastada e passa para um animado iê-iê-iê, contrapondo dois gêneros que brigavam nos anos 60. Absorva tem o som de um telefone celular que tocou durante a gravação e acabou se encaixando no ritmo da música. A bonita A Missa, o primeiro destaque da banda, começa como noise rock à Sonic Youth, depois suaviza num mantra ao som de flauta e teclado etéreo, desemboca em sambão de violão e "laialaiás" até virar rock pesado. Todo mundo dançando até a missa começar.../ Quando a missa acontece/ Ou quando vai acontecer/ Você sabe que uma prece/ Não vai te dizer/ Que o diabo agradece/ Por você/ Ou você sempre se esquece/ Que um dia vai morrer. Nadadenovo, produção independente, saiu encartado na revista Outra Coisa, de Lobão. Antes, o grupo já havia disponibilizado todas as músicas na internet.

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