Moloko é pura festa com pop eletrônico

Quem for ao show do Leftfield, no Free Jazz Festival, é bom saber que vai enfrentar uma maratona dance. Quem abre o show da banda inglesa é outra banda britânica, Moloko, capitaneada pela dupla Mark Brydon e Roisin Murphy, que se apresentou na noite de domingo no V2000 Festival.Dificilmente alguém notará Brydon no show, mas a irlandesa Roisin, de 27 anos, faz questão de ser notada. Loira, bonitona, cheia de curvas, Roisin (pronuncia-se Rouxín) é a frontwoman do grupo. Consta que, em 1994, quando ela estava ainda batalhando para ganhar uma oportunidade no mundo do show business, aproximou-se de Brydon (já então um produtor de sucesso) e não teve dúvidas: "Você gosta da minha suéter apertada?", disse. "Veja só como modela o meu corpo."Hoje vivem juntos e o nome do seu primeiro álbum foi justamente Do You Like My Tight Sweater, lançado em 1995. Brydon gostou tanto daquela suéter apertada que deu a ela uma oportunidade ímpar no mundo da música. Mas Roisin, o que é melhor, sabe cantar. É uma combinação meio maluca de Angélica, Diana Ross e Cindy Lauper. "É maravilhoso estar indo para o Brasil, fazer um grande festival para milhares de pessoas de cabeças abertas, com todas as expectativas", disse Roisin ao Estadao.com.br, também um pouco antes do seu show no V2000 ? eles tocaram no começo da noite, antes do Flaming Lips.O som do Moloko é pop, eletronicamente pop, com algum tempero funk e que desanda no fim para algo de disco music, com a banda abrindo espaço para a improvisação do fenomental baterista, Paul Slowley. Seu novo disco, Things to Make and Do é um convite para a festa.Sem cerimônia ? Brydon é o cérebro da coisa toda, é quem entende de música. Quando o repórter pergunta sobre as frases "desconectadas", sem aparente ligação, das letras do Moloko, Murphy lava as mãos e aponta para a parceira. "Eu fiz as letras", ela assume. "Não acho que sejam desconectadas, eu apenas as escrevo como se fizesse música, de modo que estejam conectadas com o som", afirma. Ela rima human being (ser humano, em inglês) com hands free (mãos livres) e nothing touches me (ninguém me toca) sem nenhum cerimônia, usando os termos como frases encadeadas."Estive em São Paulo há 7 anos produzindo um disco e conheci muita gente boa, como Oswaldinho da Cuíca, uma fantástica experiência", prossegue Brydon, diligentemente sentado ao lado de Roisin. "Eu acho que poderíamos definir nosso som como algo pop, com alguma pitada de Sly and Family Stone, soando como um disco antigo, de sonoridade antiga", diz Roisin.Música negra ? Mas também de extrema modernidade, como eles mostraram no show de Stafford. Embora tenham sido rotulados como trip hop no início, numa época em que trip hop era sinônimo de Portishead e Massive Attack, agora eles parecem estar indo em direção à música negra americana. Algo com o que Roisin também não concorda."Eu gosto da música negra americana, mas não carrego essa tradição quando canto", esclarece ela. "Admiro Billie Holyday e Ella Fitzgerald, mas na Irlanda todo mundo canta, e se eu fui influenciada foi mais pelo canto dos bêbados nas ruas da Irlanda do que por qualquer outra coisa."

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