Dan Wilton/Divulgação
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Misteriosa, banda Jungle coloca à prova a qualidade sonora

Grupo britânica de soul e funk se torna sensação do mercado, mesmo sem revelar a identidade dos integrantes

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2015 | 20h17

 

J. e T. já tiveram uma banda, mas decidiram esconder as próprias identidades para um teste que, em pouco tempo, certamente será estudado por alunos de publicidade e marketing: provar que a música é o que importa. Com o Jungle, a teoria foi colocada à prova - e aprovada com méritos. Em meados de 2013, pouco se falou de outra banda que não o Jungle. E o próprio mistério sobre quem estava por trás daquela sonoridade mezzo-funk dos anos 70, mezzo-eletrônica, funcionou como um catalisador para a explosão musical que é o grupo. Em 2014, veio o primeiro disco, que levava o nome da banda, uma indicação como “som do ano”, pela britânica BBC. E 2015 mal começou e eles já integram a escalação de dois dos maiores festivais de música do mundo, como Coachella e Primavera Sound. E, segundo apurou o Estado, o Brasil pode estar em breve no caminho do Jungle, provavelmente depois de setembro, quando o grupo tem agendada uma passagem pelo México. Rock in Rio, talvez? “Não sei dizer, mas vou falar para o nosso agente procurar por eles”, disse T. sobre o festival, que será realizado em setembro, no Rio. 

T. é, na verdade, Tom McFarland, amigo de infância de J., ou Josh Lloyd-Watson. Eles revelaram a identidade, mas não pretendem deixar que a presença do rosto deles nas fotos, shows, e o fato de não ter mais o rótulo de “banda mais enigmática do mundo”, mudem o foco do Jungle. Eles, juntos, mantiveram uma outra banda antes do Jungle, Born Blonde, que atingiu um relativo sucesso na Inglaterra, no início dos anos 2010, tida como uma derivada do grupo The Verve. “Foi um experimento”, diz ele sobre a ideia de esconder as identidades. “Queríamos que as pessoas se conectassem com a música, não com o fato de sermos cool ou não. É algo muito puro. Queríamos oferecer música para que as pessoas pudessem se conectar.” 

A vida no Born Blonde, na qual eles dividiam as incumbências com os outros três integrantes, durou pouco e eles lançaram apenas um disco, em 2012, mas foi proveitosa. “Conseguimos conhecer o mercado, entramos na indústria e aprendemos o que há de bom e ruim nela”, conta McFarland. “Mas eu e Josh éramos os compositores, mas não os produtores. Não existia esse impulso criativo. Com o Jungle, somos os produtores e os compositores. Dirigir um projeto como esse é algo corajoso, porque é o seu pescoço que está em risco.” 

Com videoclipes enigmáticos, com dançarinos de break, a dupla chamou a atenção, mas não estava pronta para mostrar ao vivo as músicas criadas em estúdio. Tornou-se um septeto, com instrumentos capazes de reproduzir as canções do disco no palco. Ganhou toneladas de elogios, graças à energia no palco. “Não queríamos que fosse algo eletrônico, com a gente só apertando botões. É preciso uma experiência coletiva no palco. Funk é assim”, diz ele. “Queremos promover a música.” 

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