"Missa" de Bach abre temporada da Osesp

Em 1855, o compositor alemão Johannes Brahms escreveu a seu amigo Theodor Billroth: "É lamentável que você não tenha podido estar presente ontem à apresentação da Missa em Si Menor de Bach. Estou certo de que você jamais teve a oportunidade de vivenciar algo tão grandioso e sublime. Custa-me acreditar que algo assim tão sublime e tão tocante possa ter sido obra de um homem." Pois foi essa peça de Johann Sebastian Bach - considerada por um dos biógrafos do compositor, Franz Rueb, a maior obra da arte musical - que a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, dirigida pelo maestro John Neschling, escolheu para abrir sua temporada, a partir desta quinta-feira na Sala São Paulo.Ao lado da orquestra e do Coro Sinfônico do Estado de São Paulo, regido por Naomi Munakata, estão quatro importantes solistas: a soprano francesa Verónique Gens (grande intérprete do repertório barroco), a contralto finlandesa Mônica Groop (cantora reconhecida por sua versatilidade na interpretação de um repertório bastante diversificado), o tenor alemão Markus Schaefer e o baixo canadense Nathan Berg, que esteve aqui no Brasil no ano passado.A Missa foi composta ao longo de um período de aproximadamente cinco anos e acredita-se que nunca chegou a ser executada na íntegra durante a vida do compositor. Uma explicação provável é o tamanho da obra, que superava em muito o que era normalmente esperado de uma peça a ser utilizada em cerimônias litúrgicas. De qualquer forma, a publicação da Missa só ocorreu em 1818 e, mesmo assim, apenas de alguns trechos: a primeira edição completa só viria a aparecer em 1855.A peça é composta de diversas partes. O Kyrie foi composto em 1733 para um serviço religioso que deveria ser realizado após a morte do eleitor da Saxônia Frederico Augusto I o Forte. Foi unido a ele o Gloria , composto para Frederico II, sucessor de Frederico, o Forte, de quem Bach esperava conseguir a nomeação para o cargo de Compositor da Corte. Em seguida aparece o Sanctus e, os últimos trechos datam aproximadamente de 1738.Para alguns críticos e músicos, como o maestro alemão Helmutt Rilling, a peça é uma espécie de síntese de toda a produção do compositor uma vez que nela estão presentes temas previamente tratados e utilizados por ele em suas demais obras como algumas Cantatas, que receberam novo tratamento antes de serem incluídas na obra.Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo - Quinta e sexta, às 21 horas; sábado, às 16h30. De R$ 10,00 a R$ 30,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 3337-5414.

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