Miriam Maria lança primeiro álbum solo

Para a cantora Miriam Maria, que acaba de lançar o primeiro álbum solo, Rosa Fervida em Mel, o grande desafio dos músicos de sua geração é abrir espaço dentro de um mar de mediocridade. Árdua tarefa. Mas, para ela, a produção da periferia do mercado fonográfico é fértil e tem cacife para a posteridade. Seguindo essa premissa, Rosa Fervida em Mel poderia ser compreendido como um levante de boa parte desses músicos que, de uma forma ou de outra , atuam no campo da experimentação musical. Não se trata, porém, de um movimento de identificação imediata, como foram, por exemplo, a bossa nova e o tropicalismo. "O Lenine diz que não há um movimento igualitáro, os possíveis participantes são muito distintos entre si", diz. "Mais do que a afinidade musical, o que nos une é o desejo real de revalorização da música brasileira".A ficha técnica do CD prova a tese. Estão lá o próprio Lenine, Marcos Suzano, integrantes do Mestre Ambrósio, Bocato, André Abujamra, Simone Soul, Luiz Gayotto, Sacha Amaback, Paulo Lepetit, Benjamim Taubkin, Itamar Assumpção, Tuco Marcondes, entre outros amigos e parceiros conquistados durante 15 anos de carreira - período em que Miriam cantou com Itamar Assumpção, estudou canto lírico, fez teatro e, até mesmo, passou um ano como vocalista de apoio da dupla sertaneja Leandro e Leonardo.Em Rosa Fervida em Mel, as aparições mais constantes são as de Zeca Baleiro e Chico César. A inédita Manacá, em parceria com Tata Fernandes, e As Asas, são as músicas de Chico César. Banguela, Boi de Haxixe, Canção Ainda sem Nome e Reza, esta em parceria virtual com o poeta Paulo Leminski, são as contribuições de Zeca Baleiro. "Conheço o Zeca e o Chico há muito tempo e canto as músicas deles desde quando eram desconhecidos".Além delas, há Balangandans, de Maurício Pereira, Maná, de Lenine e Sergio Natureza, Meu Enxoval, de Gordurinha e Almira Castilho, O Silêncio da Estrelas, de Lenine e Dudu Falcão, Zamba de Trem, de Edivaldo Santana, Artênio Fonseca e Mauro Paes, O Amor é Velho e Menina, de Tom Zé. Proximidade com as canções e preocupação como que elas tinham a dizer, esse foi o meu critério de escolha de repertório.Miriam conta que a idéia básica do disco foi juntar o piano de Nelson Ayres às bases eletrônicas. Ainda que no resultado final as batidas programadas apareçam sutis. Cada músico gravou sua parte em separado, depois fomos reprocessando tudo na mixagem,diz. Para se ter um idéia, todos os percussionistas que estiveram envolvidos no processo tinham a preocupação com o batuque contemporâneo.Sem desmerecer as gravações, a atuação em palco é o que mais agrada Miriam. "Gosto do contato com a platéia, shows são com celebrações e os discos são resultados dessas experiências cênicas.´´

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