Mineiros e paulistas disputam final do 3º Prêmio Visa de MPB

Os cinco finalistas do 3.º Prêmio Visa de MPB - Edição Compositores são, em ordem alfabética: Chico Pinheiro, Dante Ozzetti, Flávio Henrique, Mário Gil e Renato Motha. Os dois primeiros são de São Paulo; os outros três de Minas Gerais. Eles foram selecionados pelo júri após a apresentação dos candidatos da terceira semifinal, realizada na noite da segunda-feira, no Teatro Cultura Artística.Por coincidência, três dos selecionados apresentaram-se na segunda-feira: Chico Pinheiro, Mário Gil e Renato Motha. Mas o que estava em julgamento não era a apresentação da noite e sim o conjunto da obra. Cada concorrente que chegou às semifinais se apresentou duas vezes (na fase eliminatória e na semifinal) e mostrou no mínimo seis músicas diferentes.O outro concorrente da terceira semifinal era a dupla mineira formada por Zé Beto Corrêa e Bartholomeu Mendonça. Não foi classificada para a grande final, mas acrescentou no currículo que esteve entre os 12 semifinalistas, escolhidos dos 24 que participaram da etapa anterior, eliminatória. Por sua vez, esses 24 foram selecionados entre os 2.754 compositores, de pontos diversos do País, que se inscreveram no prêmio, que é uma produção da Rádio Eldorado, com patrocínio dos cartões Visa.A final vai ser realizada no dia 8 de julho, também no Teatro Cultura Artística. Cada um dos finalistas mostrará três composições, das quais pelo menos uma terá de ser nova - não poderá ter sido apresentada antes, no concurso. Mas o concorrente pode optar por apresentar três músicas novas. Esse critério é dele.O Prêmio Visa dividirá um total de R$ 87.500 entre os finalistas. O grande vencedor receberá prêmio de R$ 50 mil, além de ter o direito de fazer um disco pela Gravadora Eldorado. O prêmio está em sua terceira edição. A primeira, realizada há dois anos, foi dedicada aos instrumentistas e foi vencida pelo pianista André Mehmari e pelo contrabaixista Célio Barros, empatados no primeiro lugar; a segunda, no ano passado, premiou os intérpretes vocais e a vencedora foi a cantora paulistana Mônica Salmaso. A intenção da produção do prêmio é retomar a ordem, a partir do ano que vem, com uma nova Edição Instrumentistas, uma segunda Edição Cantores, outra Edição Compositores. Desse modo, vai-se fazendo um mapeamento da jovem produção musical brasileira. André Mehmari e Célio Barros eram conhecidos no meio musical paulistano; tornaram-se figuras nacionais, depois de vencerem o concurso. Mônica Salmaso é hoje considerada uma das grandes damas do canto popular.Se o nome deles ainda não é tão conhecido quanto devia, isso se deve às tão discutidas e sabidas questões de difusão da música de boa qualidade, para a qual existem pouquíssimas emissoras de rádio (a Eldorado, a USP e a Cultura, em São Paulo, ficam quase isoladas nesse contexto; no Rio, segundo os músicos de lá, não há mais rádios tocando música que não seja a imposta pela indústria fonográfica).Iniciativa - Seja como for, iniciativas como o Prêmio Visa trouxeram ao noticiário a existência desses novos talentos. É conseqüência do Visa (embora o prêmio possa não ser a única causa) que outros veículos tenham decidido realizar outros concursos de música.Os cinco classificados para a finalíssima do Visa são nomes que o meio artístico conhece. Quase todos têm discos gravados, músicas registradas por outros intérpretes e atuação constante na cena musical - de São Paulo e de Minas, Estados que casualmente, ofereceram os selecionados.O violonista Chico Pinheiro tocou e fez arranjos para Chico César, Jair Rodrigues, Aquilo del Nisso, estudou na escola de Berklee, nos Estados Unidos, ganhou prêmios. Sua música combina a tradição da grande música popular com uma dose de ousadia que traz sopro novo aos feitios consagrados. Mais radicalmente novo, Dante Ozzetti que, em 1994, ganhou dois Prêmios Sharp (melhor arranjador e melhor disco, pelo trabalho com sua irmã, a cantora Ná Ozzetti), procura inovações formais tanto para o discurso musical quanto para o poético; seu universo sonoro é a possível tradução da música urbana de São Paulo.Na música de Flávio Henrique ouve-se, novamente, a tradição da grande canção brasileira, dessa vez sob o filtro da paisagem musical mineira - há uma música mineira moderna e Flávio Henrique é um de seus seguidores. Prepara um trabalho que é conjunto de homenagens a grandes personalidades das Gerais.Embora mineiro, Mário Gil radicou-se em São Paulo e seus filtros são também os das canções praieiras (tem um disco todo de parcerias com o letrista Paulo César Pinheiro em que o assunto é o mar) e sua música soa sempre evocativa.O outro mineiro é Renato Motha, que mostra preocupação com a história de sua terra - muitas de suas composições lembram paisagens e fatos mineiros. É um grupo extraordinário, que certamente pertence à elite dos jovens autores do País. Um deles ganhará o prêmio. Todos poderiam ganhá-lo.

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