Minas recupera música religiosa histórica

Resultado de um trabalho de três anos, foram finalizadas as últimas gravações daquele que é considerado o maior projeto já feito no País de recuperação, reorganização e catalogação da música brasileira dos séculos 17 a 19. Iniciado em 2001, e tendo como fonte o Museu da Música de Mariana, em Minas Gerais, o projeto Acervo da Música Brasileira ? Restauração e Difusão de Partituras soma 2.033 páginas de partituras e 51 peças editadas, segundo o coordenador musicológico, Paulo Castagna. Três CDs que fazem parte da edição 2003 do projeto deverão ser lançados até dezembro, finalizando o processo de divulgação do acervo nacional. No início do mês, o Grupo de Câmara Árcade encerrou as gravações do disco Devocionário Popular aos Santos, em Belo Horizonte, sob a regência do maestro Rafael Grimaldi. Dias depois foi a vez do grupo Calíope, do Rio de Janeiro, regido pelo maestro Julio Moretzsohn, gravar o CD Música Fúnebre. A Orquestra Engenho Barroco e o Coral de Câmara de São Paulo, sob a regência de Naomi Munakata, entraram em estúdio há cerca de 15 dias para a gravação do disco Ladainha. A obra, cujas gravações se encerram no começo da semana passada, é a nona e última da coleção que criou um panorama sobre as origens da música brasileira. ?É como recuperar uma igreja em Ouro Preto. É patrimônio histórico de qualidade reconhecida em qualquer lugar do mundo?, compara o maestro Grimaldi, que durante os trabalhos contou com um coro de 18 pessoas. Ele classifica as composições de ?extremamente européias?. ?Não há traços que nós possamos dizer nacionalistas nessa música. Mas o que mais nos admira é que é uma música de altíssima qualidade e, na sua época, de alta atualidade.? ?É um projeto maravilhoso porque resgata a música feita nas igrejas de Minas, há 200 ou 300 anos, que era excelente e por muitas razões se perdeu e estava esquecida?, reforça o tenor do Grupo Árcade, Antônio Augusto de Freitas. O lançamento do CD está marcado para o dia 3 de dezembro. Está previsto apenas um único concerto para convidados, na Igreja Matriz de Mariana. Entre os nomes até então pouco conhecidos da música erudita da época que foram revelados pelo projeto estão os compositores Francisco de Melo Rodrigues e Emílio Soares de Gouveia Horta Júnior. Este último foi o fundador da Sociedade Musical Euterpe Itabirana, na cidade mineira de Itabira, e que neste mês completa 140 anos. Segundo o coordenador, as edições serviram também para revelar novas peças de compositores já respeitados como Emérico Lobo de Mesquita, José Maurício Nunes da Silva e João de Deus de Castro Lobo.

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