Milhares se despedem de Mercedes Sosa; corpo é cremado hoje

Um dos pilares fundamentais da música popular argentina, cantora morreu neste domingo aos 74 anos

estadao.com.br,

05 de outubro de 2009 | 09h17

 

BUENOS AIRES - Milhares se despediram da lendária cantora argentina Mercedes Sosa, que faleceu neste domingo, aos 74 anos, após permanecer internada por mais de duas semanas com problemas no fígado e nos rins, segundo familiares. O corpo da cantora será velado no Congresso argentino até o meio-dia de segunda-feira, dia 5, e posteriormente será cremado em uma cerimônia íntima. Segundo a família, seus restos serão cremados e as cinzas, espalhadas na cidade natal de Tucumán, em Mendoza e Buenos Aires.

 

Mercedes Sosa ficou conhecida por canções como "Gracias a la Vida" e "Si se Calla el Cantor". O último álbum da artista, "Cantora 1", foi indicado para concorrer em três categorias na premiação do Grammy Latino em Las Vegas no mês que vem, entre elas a de álbum do ano.

 

Carinhosamente apelidada de "La Negra" pelos fãs, Sosa nasceu em 9 de julho de 1935 na província argentina de Tucumã, no noroeste do país, e começou sua carreira aos 15 anos, após participar de um concurso de uma rádio local com o pseudônimo de "Gladys Osorio". Sosa destacou-se e conseguiu um contrato de dois meses com a emissora. "Eu não escolhi cantar para as pessoas", afirmou a artista em uma entrevista recente. "A vida me escolheu para cantar".

 

Por volta da década de 1970, ela foi reconhecida como uma das cantoras que impulsionou o Movimento do Novo Cancioneiro, que tinha inspiração social e incorporava nas músicas críticas aos governos ditatoriais da América Latina.

 

A proximidade da cantora com movimentos comunistas e o apoio a partidos de esquerda atraiu a atenção e a censura do governo argentino e, em 1979 - um ano após ficar viúva do segundo marido -, Sosa foi presa juntamente com um público de aproximadamente 200 estudantes durante uma apresentação na cidade de La Plata.

 

"Eu lembro quando me levaram presa", disse Sosa no final de 2007. "Eu estava cantando para universitários que estavam no último ano de Veterinária. Não era político". Ela foi libertada 18 horas depois, após o pagamento de fiança e devido à pressão internacional, mas foi obrigada a deixar a Argentina. "Eu sabia que teria de sair. Estava sendo ameaçada pela AAA (o esquadrão da morte Aliança Anticomunista Argentina). As pessoas da marinha, do serviço secreto estavam me seguindo."

 

Sosa viajou para a Espanha e depois para a França. O diretor musical da cantora, Popi Spatocco, disse que o exílio foi excessivamente difícil para uma mulher que amava a Argentina. Sosa voltou para casa apenas em 1982, nos meses finais do regime ditatorial.

 

No ano seguinte, ela lançou o álbum "Mercedes Sosa", que contém alguns de seus maiores sucessos: "Un Son para Portinari", "Maria Maria" e "Inconsciente Colectivo", de Charly Garcia; "La Maza" e "Unicornio", de Silvio Rodriguez; "Corazón Maldito", de Violeta Parra; e "Me Yoy pa'l Mollar", em parceria com Margarita Palacios.

 

Sosa teve três de seus discos considerados os melhores álbuns de Folk na premiação da Grammy Latino - "Misa Criolla", em 2000, "Acustico", em 2003, e "Corazón Libre", em 2006. Ela também atuou em filmes como "El Santo de la Espada", sobre o herói da independência argentina, José de San Martin. A cantora gravou mais de 70 discos, sendo o mais recente um álbum duplo.

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