Milhares de fãs fazem até 12 horas de filas para ver U2

Milhares de fãs que se aglomeraram hoje nos pontos-de-venda de ingressos para o show da turnê Vertigo do U2 do dia 20 de fevereiro, no estádio do Morumbi. A banda irlandesa desembarca em São Paulo no dia 18 de fevereiro e vão se hospedar no Hotel Grand Hyatt, na Avenida Nações Unidas. É a segunda vez que o grupo irlandês vem ao Brasil. A primeira foi em 1998.Os fãs enfrentaram a falta de organização dos produtores e a malandragem de quem furou a fila. Para conseguir a entrada foi preciso esperar 12 horas ou mais, sob sol forte, num caos desnecessário e jamais visto em outros grandes espetáculos no Brasil. Nem na primeira passagem do U2, em 1998.A Accioly Entretenimento e Planmusic, responsável pela vinda da Vertigo Tour, do U2 estimou que mais de 100 mil pessoas estiveram nos pontos-de-venda do Rio e São Paulo, enquanto o número de entradas disponíveis para o show de 20 de fevereiro era de 73 mil. E confirmou oficialmente a realização do segundo show da banda, no dia 21. As informações sobre o esquema da venda de ingressos para esse espetáculo serão divulgadas na quinta-feira.Em entrevista ao Estado, o sócio-diretor da Accioly Entretenimento, Alexandre Accioly, disse que a demanda de público superou as expectativas. ?É impressionante a força da banda.? Ele informou que até as 20 horas haviam sido vendidos 29.500 ingressos. As entradas para o espaço Pão de Açúcar Emotion (R$ 380,00 e R$ 280 a meia entrada) e cadeiras superiores (R$ 200,00 e R$ 100,00) já estavam esgotadas.O maior problema ocorreu na hora de imprimir os ingressos. Segundo Accioly, a empresa Ticketronic tem o mesmo processo de venda das maiores do mundo, desenvolveu um tipo de papel com cinco ou seis dispositivos de segurança e importou 12 máquinas além das existentes. ?No testes feitos no domingo, tudo funcionou. Mas o sistema apresentou problema de leitura quando começou a carregar o papel definitivo.?Com relação à venda pela internet, a Ticketronic informou que o número inesperado de acessos fez o site sair do ar. A média era de 25 mil acessos simultâneos. A empresa prometeu que tão logo a operação estivesse normalizada faria um comunicado oficial. ?O site tinha capacidade para acesso simultâneo de 10 mil pessoas. Só que antes mesmo de começar, as vendas já tinha acessos demais. Eles aumentaram a capacidade para 25 mil acessos e ainda assim não foi suficiente?, disse Accioly. Ele também informou que até as 20 horas de ontem haviam sido vendidos 29.500 ingressos. As entradas para o espaço Pão de Açúcar Emotion (R$ 380,00) e cadeiras superiores (R$ 200,00 e R$ 100,00) já estavam esgotadas.Diante da explosão da demanda, a produção decidiu distribuir senhas com nome e RG de cada comprador e o número de ingressos desejados. Também foi estabelecido um limite para cada posto: 3 mil ingressos. ?Amanhã, os postos devem abrir só para vender ingressos para quem tiver essa senha personalizada?, diz Accioly.As vendas para o show do dia 21 devem começar na segunda-feira. Até depois de amanhã, a produção vai definir locais e esquema de aquisição de ingressos. ?Os postos-de-vendas devem ser no Morumbi, Pacaembu e Anhembi. É certo que não vai ser mais nas lojas do Pão de Açúcar?, disse Accioly. ?Decidimos concentrar o dobro de postos em menos lugares. Vai ser cem vezes mais tranqüilo?, prevê. Diante do resultado de ontem, a produção vai procurar dimensionar melhor a demanda para distribuição de senhas.Confusão total nos supermercadosNos 12 pontos-de-venda - 10 lojas do Pão de Açúcar em São Paulo e 2 no Rio -, o que se viu foi total falta de organização. As filas formadas desde o fim de semana não fluíam quando os guichês abriram, às 10 horas. Em locais como o Shopping Villa-Lobos e a loja da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, nos Jardins, milhares de fãs esperaram horas para ver apenas um caixa funcionando.Houve quem cobrasse R$ 170,00 para guardar lugar na fila. Outros levaram crianças de colo para ter direito ao atendimento preferencial, debaixo do sol forte, o que provocou cenas de revolta explícitas. No Villa-Lobos, os portões do Pão de Açúcar foram fechados às 11h30 e apenas quem estava dentro (muitos deles tinham furado a fila) ficou. Os barrados só puderam reclamar, aos berros, ou oferecer dinheiro para os de dentro comprarem entradas. Diante da pressão do público, funcionários prometeram no fim da tarde distribuir mil senhas, cada um dando direito a um ingresso - a produção tinha anunciado que cada pessoa poderia comprar até dez ingressos.Também faltou informação. A loja da Avenida Washington Luís, zona sul, não tinha sido anunciada como ponto-de-venda até anteontem. ?Um amigo mora por aqui e me avisou?, disse a estudante Fabiana Falcoski.Ingressos impressos na frente do clienteSegundo os organizadores do show, o U2 exige que os ingressos sejam impressos na frente dos clientes. Mas a organização não providenciou máquinas suficientes para atender à demanda e a impressão dos tíquetes era muito demorada. Em alguns pontos-de-venda, como o supermercado da Avenida Washington Luís, a impressora estava com problemas e isso atrasou o início da venda em duas horas. No Villa-Lobos, o público teve de aturar uma espera de quatro horas.Problemas na venda de bilhetesSite fora do ar: O empresário Alexandre Accioly, um dos organizadores do show, garantiu que o site da Ticketronic (www.ticketronic.com.br) poderia receber até 10 mil acessos simultâneos. Mas a página entrou em pane e antes do início das vendas, às 10 horas, já estava fora do ar. No fim da tarde, o site continuava inacessível. Em nota, a Ticketronic informou que o número inesperado de acessos - 25 mil simultâneos, em média - causou o problema.Informação: Se antes do início das vendas já tinham sido divulgadas informações contraditórias ou confusas, o mesmo ocorreu nas filas diante dos guichês. Os fãs recebiam um folheto informativo apenas ao chegarem ao guichê. Os funcionários das lojas, desinformados, não conseguiam ajudar o público, ansioso por orientações ou esclarecimentos. Resultado: circulou todo tipo de boato.Vendas no RioNas lojas do Pão de Açúcar em Copacabana, na zona sul, na Barra da Tijuca, zona oeste, as filas que haviam se formado no domingo chegaram a quase 1 quilômetro sob o sol forte de verão. Em Copacabana, às 13 horas, havia cerca de 3 mil pessoas aguardando a vez. Os fãs ficaram desesperados ao saber que havia uma falha no mecanismo de impressão dos ingressos.A maioria das pessoas na fila era jovem, mas havia também pais e avós dos roqueiros irlandeses. O aposentado Walmir Silva Ramos, de 74 anos, que não conhece uma música sequer de Bono Vox e seus companheiros, não teve coragem de negar o favor ao sobrinho, de 21 anos. "Ele mora em São Paulo, mas a fila estava tão grande lá que ele me pediu para comprar para ele aqui".

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