Milcho Leviev mostra "Rapsódia em Blue" em SP

O pianista, arranjador e compositor búlgaro Milcho Leviev, grande especialista em jazz, faz neste fim de semana duas apresentações com a Orquestra Jazz Sinfônica. A primeira, no sábado, no Auditório Cláudio Santoro, integra a programação do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Domingo, o concerto é na Sala São Paulo. O programa é o mesmo: a orquestra, sob regência de João Maurício Galindo, interpreta obras de Cyro Pereira, Jerome Kern e sambistas brasileiros e junta-se a Leviev para a execução da Rapsódia em Blue, a mais célebre obra do norte-americano Georges Gershwin.Leviev está no Brasil pela primeira vez. E, ao decidir interpretar a Rapsódia em Blue, escolheu uma peça bastante significativa no que diz respeito ao seu trabalho. Com formaçãoclássica, ele se dedicou desde cedo ao jazz e à improvisção - mistura que se evidencia na peça e, em geral, na obra de Gershwin. "Ele mesmo, quando apresentou pela primeira vez a peça, incluiu uma grande quantidade de improvisações", lembraLeviev. Dessa forma, a marca do intérprete fica bastante evidente e, no caso de um músico como Leviev, isso significa bons momentos para o público, o que se pode conferir emgravações do artista como Live at Vartan Jazz.Leviev nasceu em Plovdiv, na década de 30, período no qual o comunismo estava em plena ascensão no Leste Europeu. Não fazia parte de uma família de músicos, mas aos 7 anos jáestudava piano. Cinco anos mais tarde, apenas, começou a freqüentar o conservatório, onde, lembra, passou a ter uma educação musical orientada de modo específico.O jazz surgiu em sua vida de modo natural, ou tãonatural quanto é possível em um país vivendo sob a cortina de ferro durante a década de 50. Foi pelo rádio que Leviev ouviu as primeiras gravações, de músicos norte-americanos. "Havia umprograma de aproximadamente uma hora chamado Voice of America, que era transmitido todas as noites e lembro que eu e algunsamigos esperávamos ansiosos por ele."Tudo isso apesar da má qualidade da transmissão, que era normalmente precedida ou encerrada com o noticiário oficial, uma maneira de interferir na sua qualidade. "Tentávamos gravar o que era tocado pelo rádio, mas mais da metade ficavairreconhecível por causa dos mecanismos de interferência utilizados pelo governo. Eventualmente, porém, algum de nós conseguia", lembra.De lá para cá, o caminho foi longo, com contribuições para televisão, filmes, cargos como regente, solista, enfim, uma luta contra a opinião oficial, que afirmava que o jazz "era umclaro exemplo do entretenimento burguês do Ocidente". Mas o tempo passou. E ele hoje pode dar vazão à combinação entre técnica e o espírito do jazz, um gosto forte, que só podia mesmosurgir em meio à proibição e na imaginação de um garoto sobre um mundo maior que o seu.Jazz Sinfônica. Com o pianista e arranjador búlgaro Milcho Leviev. Regência de Cyro Pereira e João Maurício Galindo. Sábado, às 21 horas. R$ 10,00. Auditório Cláudio Santoro.Avenida Doutor Arrobas Martins, 1.880, tel. 0--12 262-6000. Campos do Jordão; domingo, às 19 horas. De R$ 5,00 a R$ 15,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 3337-5414.

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