Miguel Proença, uma história do piano no País

Miguel Proença lança caixa de dez CDs em recital no Teatro Cultura Artística, parte de uma turnê que vai passar por 13 cidades brasileiras. O pianista gaúcho completa quase 30 anos de carreira - e 20 de gravações, especialmente do repertório nacional, pródigo em composições para o instrumento, resumidas agora nos CDs. Vira e mexe sai um disco que faz a gente refletir sobre o piano em nossa música. No início do ano, foi o segundo volume da obra completa de Claudio Santoro, projeto da pianista brasileira radicada na Europa Gilda Oswaldo Cruz. A mesma preocupação está no trabalho de Proença com amúsica de Lorenzo Fernandes e Alberto Nepomuceno, de quem gravouas integrais para o instrumento. Ele lembra que conheceu a obrade Nepomuceno durante uma série de apresentações em Bagdá,quando levou na bagagem partituras do compositor. "Comecei axeretar e me apaixonei por aquela música", conta. Nepomuceno dedicou quase 25 anos, de 1888 a 1912, escrevendo para o piano, na virada do século. "Ele teveum contato grande com autores românticos europeus, para quem opiano era fundamental." Em Lorenzo Fernandes, explica, o caminho já é outro.Na esteira dos ensinamentos do amigo Mário de Andrade, elebuscou uma linguagem nacional, o que, naquele contexto,significava a utilização do folclore como fonte de inspiração.Vistos de modo isolado, os dois conjuntos dediscos duplos dedicados a esses autores fazem um recorteindividual da produção nacional. Dentro de uma caixa, porém,acabam como parte de um panorama um pouco mais amplo, surgem autorescomo Ernesto Nazareth, Marlos Nobre, Radamés Gnatalli,Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Araújo Vianna, Fructuoso Vianna,Natho Henn, Louis Gottschalk e assim por diante. Miguel Proença. Cultura Artística. R. Nestor Pestana,196, 3258-3616. Nesta terça, 21h. R$ 10 a R$ 20; Piano Brasileiro. Biscoito Fino, preço a definir.

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