Miguel Cidras, o George Martin de Raul, faz 67 anos

Em meados dos anos 80, quando mais uma vez tentava colocar sua conturbada carreira nos trilhos, Raul Seixas convidou um antigo amigo para ser seu empresário. "Venha ser o meu coronel Tom Parker", disse a Miguel Cidras, referindo-se ao lendário empresário de Elvis Presley. Cidras aceitou, mas a experiência não deu muito certo. E mesmo que tivesse, não seria como Tom Parker que esse uruguaio de Montevidéu teria seu nome relacionado à carreira do roqueiro baiano. Há muito, ele já era o seu George Martin, maestro e produtor conhecido como o quinto Beatle, responsável pelos arranjos das músicas do quarteto de Liverpool.Cidras, que fisicamente lembra Marlon Brando (os amigos até o chamam de "poderoso chefão"), completa hoje 67 anos. Foi o arranjador de Raul Seixas em quase todos os seus trabalhos. Se conheceram na CBS, quando Raul era produtor dos artistas da gravadora. "Conhecia ele superficialmente. Até que ele me chamou para fazer o arranjo de Ouro de Tolo quando foi contratado pela Phillips", conta o maestro. A música, carro-chefe do disco de estreia de Raul Seixas, foi uma das mais tocadas em 1973, iniciando um relacionamento que iria ate o fim da vida do artista, 16 anos depois."O meu trabalho com Raul foi uma fantasia, uma coisa muito bonita. Ele falava que bastava dar um toque que eu entendia o que ele queria. Mas isso é por conta da molecagem dele", diz o maestro, rindo muito, e dando a entender que a processo de criação não era tão simples assim. Apesar de em sua fala pausada deixar claro que esta afinidade era fruto de um trabalho complexo, Cidras se esquiva de falar de sua importância na carreira do cantor. "Essa é uma pergunta que não posso responder. Não posso julgar o meu trabalho no trabalho de outro." Mas, didaticamente, explica. "O trabalho de um arranjador é colocar uma roupa na música para que ela fique melhor. Para isso, tem que saber o que vai usar, para saber como ela vai ficar vestida. O crédito de uma gravação vai para o cantor, mas por trás dele tem todo um trabalho, do compositor, do arranjador, dos musicos". Nem mesmo dizer qual considera o seu melhor trabalho com o cantor ele admite falar diretamente. Mas deixa uma brecha: "Gita (1974) é o melhor disco de Raul Seixas."Leia mais sobre Miguel Cidras na seção ´notícias´ do especial do estadao.com.br dedicado a Raul Seixas.

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