Midem 2003 terá sotaque brasileiro

Em janeiro, Cannes, sofisticado balneário francês situado na Côte d´Azur, vai ganhar tons de verde e amarelo. O Brasil será, pela primeira vez, país-tema e convidado de honra do Midem 2003, um dos mais importantes eventos da indústria fonográfica mundial. Na posição de anfitrião dessa 37.ª edição do evento, o País será responsável pelas apresentações musicais de oito artistas ou grupos brasileiros na noite de abertura, dia 19 de janeiro, no Palais des Festivals.As atrações serão selecionadas entre uma lista de nomes apresentada por empresas filiadas à Brasil Música e Artes (BM&A), que vai coordenar a participação brasileira na festa francesa. "O Brasil é o país que, atualmente, tem mais a dizer de sua música", diz a diretora-geral do Midem, Dominique Leguern, que esteve no Brasil para oficializar a participação do País como convidado de honra do Midem 2003."Conhecemos uma pequena parte do repertório musical brasileiro. O evento é uma oportunidade de entrar em contato com outra faceta desse repertório", afirma ela. Para Dominique, será importante a participação brasileira, por causa principalmente dos problemas que enfrenta com a pirataria. "Hoje, é preciso exportar para viver, mostrar seus artistas, ir ao encontro de outros países."Mas a contribuição brasileira não se restringe à música. Além de toda programação visual da feira buscar inspiração no Brasil, o País terá um estande, com a presença confirmada de diversas gravadoras e produtoras: Dabliú, Levine Film, Eldorado Discos, Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), Brazilbizz Music, Divina Comédia, Jam Music, Lua Discos, MCD World Music, Imusica, Ouver, RH Produções, Rod Digital, ST2, Trama e Visom Digital. "Nos próximos dias, outras empresas confirmarão sua adesão ao projeto, enriquecendo ainda mais a participação brasileira", avisa o presidente da BM&A, José Carlos Costa Netto.Recentemente, Lala de Heinzelin, assessora da Presidência do Sebrae (um dos apoiadores do BM&A no Midem 2003), passou alguns dias em Cannes para conhecer o local onde o evento será realizado. Retornou ao Brasil cheia de idéias envolvendo ações culturais e arte brasileira para serem aplicadas durante o evento fonográfico. "Percebemos que temos oportunidade de levar outras instituições para a França, para termos representatividade mais forte", afirma Lala. Para complementar o cenário musical, outros elementos tipicamente brasileiros, como artesanato, design, fotografia e gastronomia, estarão ao alcance dos estrangeiros. Por isso, Lala está em busca de apoiadores. "Os brasileiros estão à frente em muitas áreas; no exterior, existe uma receptividade imensa das nossas coisas", comenta ela.Em quase 40 anos de história de Midem, o Brasil só teve sua primeira representação no evento no início deste ano. Na ocasião, um estande brasileiro agrupou sete empresas ligadas à BM&A, onde executivos, produtores, artistas e representantes de gravadoras independentes puderam divulgar uma parte de sua produção musical para os estrangeiros que circularam pela feira. A repercussão foi tão bem-sucedida, que contribuiu para a escolha do Brasil como convidado de honra do próximo ano. Em 2003, aliás, o cenário independente da música brasileira estará novamente em evidência. "O mercado independente está se organizando; juntas, essas gravadoras podem furar o bloqueio das grandes companhias com ações conjuntas", comenta Costa Netto, da BM&A.Para o Midem 2003, a BM&A tem o apoio do Ministério das Relações Exteriores, APEX, Ministério da Cultura, Embraer, Sebrae Brasil, Sebrae São Paulo, Bureau Brésil de la Musique Française e Associação Brasileira da Música Independente (ABMI).

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