Mick, uma testemunha privilegiada do rock

Fotógrafo inglês que fez capas de álbuns clássicos tem mostra no MIS e participa de debate

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

28 de março de 2014 | 13h40

Mick Rock fotografou Syd Barrett, do Pink Floyd, no auge de sua lisergia. Fotografou Iggy Pop gestando uma revolução punk. David Bowie injetando glamour e senso de dramaturgia no pop. Lou Reed confrontando o establishment musical. E mais centenas de astros do rock. Perto dos 70 anos, ele continua na ativa, fazendo retratos de MGMT, Gogol Bordello, entre outros.

"Não me parece justo comparar o rock de hoje com o que eu fotografava nos anos 1970. Por um motivo muito simples: naquela época, eu tinha a mesma idade deles. Compartilhava sua voracidade, sua fúria. Eu apenas não podia fazer música, então eu fotografava", disse Mick ao Estado, ontem, já estabelecido em um hotel de São Paulo.

Ele está na cidade para a exposição It's Rock, de hoje a 20 de abril, no Museu da Imagem e do Som. É a primeira vez que ocorre uma exposição dedicada a ele na América Latina. A mostra é parte integrante do Music Video Festival, festival de videoclipe idealizado pela Cinnamon Comunicação e que está em sua segunda edição. Com acesso gratuito, It´s Rock será realizada no Foyer do Auditório MIS.

Mick, que fez as fotos das capas de álbuns clássicos, como Transformer de Lou Reed, I Love Rock’n’Roll de Joan Jett e Queen II do Queen, diz que a maior parte da cena de suas fotos era deliberada, mas boa parte era pura improvisação. "Era, e ainda é, como na própria música: nenhum show é igual ao outro, sempre se tem que improvisar, fazer algo que não está previsto".

“Na primeira exposição dedicada a obra de Mick Rock no Brasil, vamos apresentar uma seleção de 24 fotos, expostas em um ambiente cenográfico que recria a decadência e o glamour da cena rock n´ roll, além dos videoclipes dirigidos por ele”, disse Duda Leite, curador da exposição. A cenografia é assinada por Felipe Morozini.

Mick Rock, que diz que as fotos são mais importantes que o fotógrafo, participa de um bate-papo com o público, parte da programação do final de semana do Music Video Festival. O fotógrafo fala sobre sua carreira e experiência com artistas como Lou Reed e Iggy Pop, músicos das bandas Blondie e Ramones, alem, é claro, de David Bowie. O fotógrafo registrou a turnê de Ziggy Stardust, o alienígena criado por Bowie, e tornou-se o cronista visual da cena glam, da Londres dos anos 1970. Mick Rock também dirigiu alguns dos clipes mais icônicos de David Bowie, entre eles Life On Mars?, Space Oddity, John, I´m Only Dancing e Jean Genie. (Até o dia 20 de abril, o MIS dedica uma retrospectiva do artista, com uma exposição com cerca de 300 itens, entre figurinos, objetos pessoais e letras de músicas manuscritas).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.