Michael Stipe seduz platéia no 1º show do R.E.M. em SP

Vocalista, com gestos, caras e bocas e uma voz incrível, realiza performance explosiva com 25 músicas

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

11 de novembro de 2008 | 13h01

Magricela, queixudinho, baixinho e vestido como uma alegre fashion victim (quem mais combina gravada listada com camisa listada, as listas de camisa e gravata desiguais, e ainda por cima paletó de brim e calça jeans e correntes no bolso traseiro com tanta sem-cerimônia?), Michael Stipe é a única coisa realmente moderna na banda R.E.M., cujos riffs e coros e teclados incidentais estão sem dúvida envelhecidos e datados.     Veja também: Galeria com fotos do show do R.E.M. em SP     Michael Stipe durante apresentação em São Paulo. Foto: J. F. Diório/AE   Mas Stipe, com um repertório de gestos, caras e bocas e uma voz incrível, potente, faz com que tudo pareça fresco e agradável - até porque ele demonstra ter uma energia embasbacante, seja dançando como se fosse um clubber ou um cowboy de boate. Havia aqueles que estavam ali como se tivessem ido a uma microparada do Orgulho Gay, felizes com seu ídolo assumido e íntegro, e outros que o veneravam apenas pela poesia cristalina, coloquial. "Todo mundo machuca, às vezes".   Stipe ajoelhou no palco, cantou no meio da platéia, deixando-se afagar e apertar, e depois desabou aos pés do microfone como se estivesse emocionalmente extenuado. Uma mentira sincera que interessa a todos seus fãs. Ao final de tudo, depois de 20 músicas, o telão perguntava: "Mais R.E.M.?", e a platéia espancava o chão impiedosamente com os pés, assentindo. Me engana que eu gosto - e aí sobrevieram mais cinco músicas.   Por conta disso, o primeiro show em São Paulo do foi um encontro catártico, passional, taquicardíaco. Um verdadeiro evento, movido a histeria coletiva e uma performance explosiva (quase um overacting) de Stipe. O seu público se esgoelou e fotografou com celulares e câmeras o quanto pôde desde a primeira música, Living Well is the Best Revenge (do novo álbum, Accelerate), uma das canções que mostra um R.E.M. fazendo um rock’n’roll mais moderno, nervoso, a voz eletronicamente modificada, e o torna menos prisioneiro dos hits.   A banda faz mais um show em São Paulo nesta quarta-feira, 12. Foto: J.F. Diório/AE   Na terceira música, What's the Frequency, Kenneth?, Stipe colocou uns óculos de ficção científica antiga, muito pretos, e dançou como Michael Jackson em Moonwalk. As canções mais políticas da banda, como Drive, Man-Sized Wreath e Fall on Me, além de Ignoreland, foram a deixa para Stipe lembrar da vitória do seu candidato, Barack Obama, nas eleições americanas, um fato "que está mudando a História". Imagens no telão e máscaras na platéia reforçavam a celebração.    

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