Michael Jackson quer fama no novo cenário pop

Michael Jackson começa aos poucos a tomar conta da mídia com o lançamento do disco Invincible e os dois shows que vai fazer em Nova York, em setembro, para comemorar os 30 anos de sua carreira-solo. A dúvida geral, até da gravadora Sony, é se o rei do pop vai retomar sua popularidade. Um novo fracasso do cantor pode acabar de vez com seu reinado e, o pior, colocá-lo em sérias dificuldades financeiras.Invincible demorou três anos para ser gravado e teria custado a fortuna de US$ 28 milhões. Jacko é um dos nomes mais conhecidos do show business em todo o mundo e detém o recorde de maior número de cópias vendidas de um álbum: Thriller (1982) com 51 milhões de unidades vendidas em todo o mundo. O problema é que o cantor não tem um grande sucesso pelo menos desde 1995, quando a compilação de hits HIStory teve 15 milhões de cópias vendidas (uma relativa decepção, por causa da fortuna que foi gasta em promoção). Em comparação, o disco de remixes Blood on the Dance Floor: HIStory in the Mix (1997), não passou das 250 mil unidades. Seu disco mais recente de canções inéditas foi Dangerous (1991), com vendas de 27 milhões de cópias."Rock My World" - Para Invincible, Jacko gravou 50 faixas: apenas 15 vão entrar no disco. O single de lançamento, ao que tudo indica, vai ser Rock My World. A canção deve chegar às rádios em julho. O disco tem de ser lançado até 25 de setembro para poder concorrer ao Grammy em 2002, o que estaria nos planos da Sony. Entre os convidados que teriam trabalhado com Jacko no disco, estão Carlos Santana e Method Man. As outras canções do CD seriam, de acordo com o web site de fãs Planet Jackson, Speechless, The Lost Children, Privacy, 2000 Watts, Unbreakable, Cry, Invincible, Heartbreaker, Break of Dawn, Heaven Can Wait, Butterflies, Shout, Don´t Walk Away e Threatens.Executivos da gravadora ouviram 15 faixas dos disco em maio, em um encontro na Hit Factory, um estúdio de Miami. Os rumores que circularam depois eram de que o disco é ótimo e que a volta de Jacko às paradas de sucesso é garantida. A fonte funcionários de sua gravadora é suspeita, claro. Invincible foi produzido por Rodney Jerkins (o responsável por quase toda a onda atual de boy bands e pop teen da indústria fonográfica americana) e Teddy Riley.A dificuldade de marketing vai ser superar toda a exposição negativa que o cantor teve nos últimos tempos, com escândalos sobre seu relacionamento com crianças (em 1993, Jacko foi processado por molestar um garoto de 13 anos, mas a ação na Justiça foi arquivada depois de ele ter pago uma indenização de US$ 15 milhões à família do menino) e o freak show de suas várias cirurgias plásticas (que fizeram com que ele pareça uma estátua do museu de cera Madame Tussaud´s, como já foi dito pela imprensa). Outras controvérias que envolveram o cantor foram seu aparente casamento de fachada com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie Presley, que durou dois anos, e seu casamento e divórcio (depois de três anos) da enfermeira Debbie Rowe, a mãe de seus dois filhos, Prince e Paris.Esquisitice - A questão principal é se, com toda a esquisitice atual, ele vai conseguir atrair um público teen (o principal mercado consumidor de música dos Estados Unidos), que nunca comprou um CD dele (e provavelmente acha o cantor uma piada). Vale lembrar que muita coisa mudou no mercado, que hoje é tomado por boys bands, pop água-com-açúcar, hip-hop e rap. Seu ponto positivo é que ele ainda é muito popular na Ásia, um mercado fonográfico imenso, e menos criticado na Europa do que na América.O sucesso do disco vai depender muito da promoção dos dois shows que ele vai fazer no Madison Square Garden, em Manhattan, nos dias 7 e 10 de setembro. Convidados especiais não faltam. O cantor vai subir ao palco com seus irmãos do Jackson Five para cantar hits dos anos 70, como I´ll Be There, I Want You Back e muito mais. Os shows também teriam as participações especiais de artistas como Britney Spears e ´N Sync, uma boa estratégia para atrair a atenção do público infantil e teen. Outros nomes que ainda não foram confirmados são Whitney Houston, Marc Anthony, Shaggy, Jill Scott, Mya e Deborah Cox. Também estariam no programa um coral gospel com 300 integrantes, um coral com 200 crianças, uma orquestra de 48 músicos, 40 dançarinos, 12 cantores de apoio.No volátil meio do pop, em que poucos artistas conseguem manter sua popularidade por tantas décadas (Madonna é um dos exemplos), muita gente acha que o investimento na ressurreição da carreira do cantor, que vai fazer 43 anos em agosto, é uma aposta e tanto. Provavelmente, não vai ter meio termo: ou um megafracasso ou um super hit. Conta pontos a favor do investimento o revival recente de grupos do passado, como o Kiss, que faturou US$ 500 milhões no ano passado com shows e produtos diversos relacionados com a banda, como o caixão/geladeira que foi lançado recentemente.

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