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Michael Franti se apresenta no Parque Burle Marx

Rapper inimigo do presidente americano George W. Bush canta pelo fim das desigualdades ao lado de Seu Jorge

Patrícia Villalba,

29 de novembro de 2007 | 20h19

Na trincheira da melodia, e não apenas da letra, o rapper e ativista social californiano Michael Franti faz no Parque Burle Marx, no Campo Limpo, amanhã, a versão brasileira do festival Power to the Peaceful, criado por ele há oito anos e que chegou a reunir 60 mil pessoas em São Francisco em 2006. Aqui, Franti tem como parceira a ONG Instituto Rukha. Encantado com experiências que procuram diminuir o abismo da desigualdade social brasileira, como a do grupo carioca AfroReggae, que conheceu em agosto, ele encerra a grande celebração pelo engajamento ambiental e social ao lado de Seu Jorge. Será um dia inteiro de atividades, que vão desde aula de ioga a palestras com líderes comunitários. A renda vai reverter para entidades que trabalham nas favelas da região.  Ouça trecho da música 'East to West'   Veja trecho do vídeo 'I Know I'm Not Alone', filmado pelo rapper Michael Franti em Bagdá e na Faixa de Gaza  Inimigo declarado de George W. Bush, Franti foi para a frente de batalha no Iraque e na Faixa de Gaza em 2004 cantar para soldados e sitiados. Com uma câmera na mão e – sempre – descalço filmou o documentário I Know I’m Not Alone. No domingo, ele soma mais uma periferia à lista das que conhece em suas andanças: toca de graça no Capão Redondo. Em entrevista ao Estado, ele compara as cidades em guerra aos morros do Rio de Janeiro e conta como é falar de paz para o mundo sendo americano. Você esteve no Iraque e na Faixa de Gaza, lugares em situação de guerra. Aqui no Brasil, a violência urbana é freqüentemente comparada à de uma guerra civil. Você acha que essa comparação é possível?Bem, a violência no Oriente Médio é política e em grande escala, porque eles usam o poder militar e também armas contrabandeadas. A violência que vi nas favelas é feita com armas menores, mas a intensidade dos tiroteios é a mesma, e os efeitos na comunidade também. Os buracos que vi nas paredes de uma favela do Rio são iguais aos das paredes da Faixa de Gaza. Como foi a experiência no Rio? A nossa periferia é diferente das outras que conhecia, ou como diz um grupo de rock daqui, "miséria é miséria em qualquer canto"?Antes de ir, eu ouvi coisas muito negativas, sobre o domínio do tráfico, violência. Quando estive lá, me senti transformado pelo lado positivo da favela, ao ver tantas pessoas fazendo sacrifícios incríveis para tornar a vida dos outros melhor. A música é maravilhosa e a dedicação do AfroReggae e seus líderes com aquele grupo me inspiraram a continuar fazendo o trabalho que faço. Aprendemos a conhecer o rap como música de protesto. Como você analisa a transformação que ocorreu no estilo até a sua geração de músicos, que usam o rap para mensagens positivas, de esperança?Rap não é apenas uma música de protesto. É uma rede de notícias das ruas e ela reporta sobre todos os aspectos da vida nas ruas, seu lado bom e lado ruim também. Há muitos artistas hoje no rap, no reggae e no rock que sentem a música como uma oportunidade de inspirar ação, mas em primeiro lugar eles têm de ser geniais na criação de melodias que toquem nossa alma. Isso é mais importante do que a mensagem, porque sem isso a mensagem nunca vai ser ouvida. Quando esteve aqui, em agosto, você disse que "era um sonho realizado estar no Brasil". O sonho correspondeu à realidade? A imagem que tinha do nosso país foi a que encontrou quando chegou aqui?Minha experiência no Brasil foi além das minhas expectativas. As pessoas e a música, as montanhas e a água, a cidade e as ruas compõem uma memória que carrego agora no meu coração. Sei que pelo resto da minha vida, quando tiver uma oportunidade de estar novamente no Brasil, ficarei muito ansioso por isso. O Power to the Peaceful é um festival que mistura engajamento ambiental e mensagens pacifistas. Mas, falando apenas de você, qual é a principal mensagem que levará ao Parque Burle Marx?A principal mensagem para mim é que eu acredito que as guerras no futuro não serão entre países. A maior guerra em curso é entre ricos e pobres, e entre os seres humanos e a mãe Terra. Nós precisamos criar maneiras de reduzir o vácuo entre ricos e pobres e entre a humanidade e a Terra.  Em suas andanças pelo mundo, chega a sentir o peso de ser americano? Como é levar uma mensagem de paz ao Iraque, país invadido pelos Estados Unidos, sendo americano?Nasci nesta Terra, sou feito desta Terra, respiro nesta Terra. Para mim, um passaporte é apenas um pedaço de papel, então não ando pela Terra como um americano, mas como um ser humano. Ao mesmo tempo eu me sinto responsável, porque a América tem o poder de causar grande prejuízo ou grande benefício ao mundo. Todos os dias eu trabalho para fazer os americanos mais conscientes dos efeitos da nossa nação no restante do mundo e o melhor que posso para causar um efeito positivo. É uma batalha imensa e árdua e por esta razão agradeço a Deus todos os dias pelo dom da música! P.V. Power to the Peaceful. Parque Burle Marx. Avenida Dona Helena Pereira de Morais, 200, Campo Limpo, 11-3746-7631. Sábado, 10 h às 22 h. R$ 80

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