Michael Bublé fez o diabo em seu show em São Paulo

Canadense se deixou beijar, apalpar e beliscar na apresentação em que 80% a 90% da audiência era feminina

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

20 de novembro de 2008 | 14h17

Michael Bublé seduz a filha, a mãe, a tia e, se bobear, seduz também a avó. Num show em que 80% a 90% da audiência é feminina (e reage frente ao seu ídolo de uma forma que talvez só Chico Buarque provoque), é preciso reconhecer que Bublé sabe como tratar seu eleitorado.   Foto: Tiago Queiroz/AE   O homem é um perigo. Entertainer de primeira, deixou-se beijar, apalpar, beliscar e fez o diabo em seu show no Via Funchal - visivelmente preocupado em apagar a má impressão do ingresso de até R$ 1 mil (ou US$ 430).   O cantor canadense é pontual. Abriu o show às 22h05, com I'm Your Man, de Leonard Cohen, num palco inclinado, quase uma ladeira de skate no qual ele deslizava para cima e para baixo, como um skatista de paletó e gravata.   Depois de descer do palco e beijar fãs, posar para fotos de celulares e tomar um drinque no copo do marido calado, Bublé voltou ao microfone e disse: "Sou a Amy Winehouse do jazz", para em seguida cantarolar os versos de Rehab. Um piadista incorrigível, ele pontua o show inteiro com gags, muitas ensaiadas, outras improvisadas.   "Obrigado a você aí pela bebida. Grato a você ali pelo abraço. E, ei você, eu sei que foi você que apertou minha bunda!", ele dizia, para estardalhaço da platéia embevecida. E mandou ver numa versão rebolativa de Fever. Antes de cantar Me and Mrs. Jones, fez longa digressão de como viu gente de nariz empinado na platéia, "fancy people", e pediu para que todas as diferenças fossem esquecidas naquela noite. "Se tiverem vontade de dançar, dancem. Se quiserem cantar, cantem!", conclamou.   Depois de uma sequência de músicas românticas, como Home (a música internacional mais executada nas rádios brasileiras em 2005) e Crazy Little Thing Called Love, ele pediu desculpas à platéia de namorados e maridos, que estavam ali obrigados, sendo martirizados com aquele repertório de garotas.   "Vou cantar para vocês agora uma canção de macho!", prometeu, e atacou uma versão cartunística de That's Alright, Mama, de Elvis Presley. Na sequência, desmontou a própria farsa cantando Y.M.C.A., do Village People, como uma caricatura gay.   Apresentou o avô, um sorridente velhinho que os holofotes iluminam na platéia, o homem que o apresentou ao repertório do jazz, mas faz uma advertência. "Cuidado: ele é um maníaco sexual". E depois faz um teatro canastrão com o trombonista Nick Vayenas (cujos pais, revela Bublé, são imigrantes brasileiros na América do Norte). Em dado momento, Vayenas apodera-se do microfone e chama Bublé, que saiu do palco, de "bundão", e garante que canta melhor que ele. Bublé o flagra no meio do motim e garante que também toca trombone melhor que o instrumentista. Ambos fazem um duelo e Bublé parece se sair bem - mas está sendo "dublado" por outro trombonista, não toca nem campainha.   Tirando esse lado de entertainer, que funciona bem com os fãs, há que se dizer que Bublé tem também grande domínio técnico musical. Sua big band, que tem guitarra elétrica, piano, bateria e compacta sessão de metais, com trombones, trompetes, saxofones, é ultra-afiada. Imprime sua marca em canções ultraconhecidas, como Feeling Good, que Nina Simone imortalizou. Pode-se não gostar dele, mas não se pode negar que Bublé é insidioso e habilidoso.

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