Brian Flaherty/The New York Times
Brian Flaherty/The New York Times

Metallica prossegue com seu metal, mas agora mais adulto e com tranquilidade

'Hardwired ...to Self-Destruct' chegou às lojas e plataformas de streaming e causou boa impressão na crítica internacional

Jon Pareles, The New York Times

22 de novembro de 2016 | 11h14

NOVA YORK - Uma multidão comprimida, suada e disposta a dançar agressivamente acolheu o grupo Metallica no Webster Hall em Manhattan em meados de novembro - uma rara oportunidade de ver a banda em um clube e não numa arena - em um concerto que incluiu duas músicas de Hardwired ...to Self-Destruct, primeiro album de estúdio do grupo em oito anos.

"Oito anos passaram rápido", disse James Hetfield, cantor do grupo, guitarrista e compositor. "Mas não para você, acho".

A apresentação incluiu duas músicas do novo álbum, cujo ritmo é ainda mais acelerado do que nos anos 80, quando o grupo privilegiava o punk e o speed-metal. Hardwired, com refrões que evocam um pessimismo desenfreado é o primeiro do selo próprio da banda, Blackened Records e também o primeiro desde Death Magnetic de 2008. Embora as 12 músicas se concentrem num espaço de menos de 72 minutos, o que significa que eles conseguiram comprimi-las num CD, lançado como álbum duplo.

Foi o que disse, por telefone de Paris na terça-feira, Hetfield sobre as composições: grande parte é ironia, muito cinismo. Como adulto, você tem de se afastar um pouco, observar o que vem ocorrendo no mundo e opinar".

O Metallica aceitou sua maturidade, reformulando o estilo de ataques da sua música e ao mesmo tempo abandonando a imagem de banda hard-rock jovem, rápida e fora de controle.

"Somos um grupo de pessoas despreocupadas que, quando se reúnem, muita energia acontece na música que faz", disse Lars Ulrich, o baterista do grupo que escreve as músicas com Hetfield. "James certamente reconhece que carrega muita coisa consigo. Mas acho que é possível compor uma música thrash vibrante sem necessariamente sair por aí como um sujeito sombrio, raivoso, lúgubre, mal-humorado, em baixo de uma nuvem negra tempestuosa".

No seu novo álbum, o Metallica deu uma polida num estilo que aperfeiçoou durante 35 anos, desde quando Hetfield respondeu ao anúncio colocado por Ulrich para formar uma banda. A percussão de Ulrich, a guitarra rítmica de Hetfield e o baixo de Robert Trujillo tiram sons rápidos e fortes que apoiam o potente grunhido de Hetfield e os solos de guitarra de Kirk Hammett. Em vez de se reinventar para este álbum, Mettalica sutilmente ajustou e aumentou o volume das guitarras e vocais e procurou limitar músicas muito longas.

"Durante muitos anos havia esta coisa estranha em nossa banda. Estávamos com tanta pressa de seguir adiante e tanta pressa para acabar com determinadas percepções a nosso respeito que começamos a perseguir algo que na verdade não tínhamos necessidade de procurar".

Ele se referiu aos álbuns que Mettalica produziu entre seu grande sucesso de 1991, seu chamado Black Album, que vendeu 16 milhões de cópias em todo o mundo, e Death Magnetic, no qual o produtor Rick Rubin convenceu o grupo a aceitar seu passado.

No lançamento de Death Magnetic, a banda viajou em turnê durante três anos, mas a um ritmo mais adulto, administrável.

"Basicamente não deixamos a casa por mais de duas semanas cada vez", disse Ulrich. 

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Depois da viagem de três anos, o grupo também reuniu dois dos seus ambiciosos e não lucrativos festivais Orion Music and More. Durante grande parte de 2011, colaboraram com Lou Reed no seu último álbum, Lulu. Em 2013 a banda deu concertos nos sete continentes, incluindo a Antártida. 

Compor música para o grupo é um quebra-cabeças, disse Ulrich. A banda grava tudo: shows, ensaios, testes de som, jam sessions. Depois seleciona os estribilhos e as melodias e começa a combiná-los.

A gravação foi feita no quartel general do grupo, seu estúdio em San Rafael na Califórnia. Em Death Magnetic, as músicas eram muito longas; desta vez, quando a banda percebeu que estava extrapolando se esforçou para se controlar. "Houve um esforço mais consciente de condensar as músicas, torná-las mais enxutas", disse Ulrich.

Mas ainda há alguma fricção musical dentro do grupo, admitiu Hetfield.

"A duração das músicas, eu e Lars discutimos constantemente sobre isto. "Não quer dizer que ele queira músicas mais longas, mas ele tem dificuldade de síntese. É sua personalidade. Se alguma coisa é boa ele quer usar do modo mais longo e mais potente. Eu prefiro refinar, tornar a composição mais curta e mais poderosa. Estamos sempre indo e vindo. Mas se esta é a pior coisa que vem ocorrendo com a banda, ótimo".

O grupo estava quase concluindo o álbum quando entendeu que não havia nenhuma música de abertura - nada que realmente fosse devastador de imediato. Em vez de reabrir o que Hetifiel chamou de Caixa de Pandora, os dois começaram do zero, como nos primeiros dias, e acabaram compondo Hardwired.

"Ele compôs na segunda e na terça feira; na quarta fez algumas mudanças e gravamos na quinta-feira", lembrou Ulrich. Depois de dois anos de muito trabalho "foi genial tocar uma música como essa excepcionalmente bem e super-rápido", disse ele. "Espero que seja uma boa indicação do próximo álbum." / Tradução O Estado de S. Paulo

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