Brian Flaherty/The New York Times
Brian Flaherty/The New York Times

Metallica não teme levar rock ao “indie” Lollapalooza: “Talvez a gente ajude a derrubar barreiras”

Banda é a atração principal do festival neste sábado, 25, no Autódromo de Interlagos

Entrevista com

Metallica

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

25 Março 2017 | 18h04

O baixista Robert Trujillo mexe as mãos agitado. As mesmas mãos que o tornaram famoso e o fizeram entrar no Metallica na vaga de Jason Newsted em 2003, um período conturbado da banda, agora entregam um nervosismo que há muito tempo ele não experimentava. Depois de oito anos sem um disco de inéditas, a banda lançou em 2016 o álbum Hardwired... To Self-Destruct, um petardo pesado de 12 faixas capazes de trazer uma nova energia para uma banda acostumada a rodar o planeta e tocar diante de arenas todos os anos.

“Algumas das músicas vamos tocar hoje pela terceira ou quarta vez”, ele explica, em entrevista ao Estado, no início da tarde deste sábado, 25. Ele fala de um hotel na região dos Jardins, em São Paulo, horas antes de subir ao palco do Lollapalooza para encerrar as atividades do primeiro dia de festival. “Isso é excitante, deixa tudo ainda mais desafiador.”

É curioso que 2017, ano de Rock in Rio, terá um show do Metallica em terras brasileiras, mas, desta vez, não é no festival carioca. A banda formada por James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Trujillo se apresentou em todas as edições do Rock in Rio desde o retorno do evento ao Brasil, em 2011, 2013 e 2015.

“É tudo questão de timing”, explica Trujillo. Com um disco novo, o décimo da carreira, era importante para o cronograma da banda que eles estivessem no hemisfério sul ainda no primeiro semestre, para seguir para a Europa no verão de lá (quando é inverno para o Brasil). “Somos amigos do pessoal do Rock in Rio, somos amigos do pessoal do Lollapalooza. Para a gente, o mais importante é tocar para as pessoas. Como isso é feito, onde é feito, essas coisas são secundárias.”

A agenda apertada do Metallica no segundo semestre de 2017 fez a banda adiantar a visita e se perceber em um cartaz de festival ao lado de grupos como The 1975, The Chainsmokers, cujos dois pés são fincados em um pop jovem, feito para dançar, ou de nomes como do The xx, trio ícone de uma música introspectiva e melancólica.

No meio disso tudo, o Metallica parece deslocado, ali no topo, assim como seus fãs mais ferrenhos, com suas camisetas pretas espalhadas pelo Autódromo de Interlagos. “Passamos por algo assim no festival Glastonbury, na Inglaterra”, contou Trujillo. O “Glasto”, como o festival é chamado carinhosamente, é conhecido pelo line-up bastante variado, que pode ter Metallica, algum rapper de trabalho mais obscuro e uma banda pop como atrações principais no mesmo ano.

Trujillo diz ser fã de música alternativa - “gosto muito de Tame Impala”, garante ele, citando a banda de psicodelia australiana – e aprecia a ideia de ter o Metallica em festivais como o Lollapalozoa. “Até o Black Sabbath era considerado um grupo alternativo. De certa forma, o Metallica, naquele início de carreira, era alternativo”, ele diz. “Eu gosto da ideia de festivais com atrações variadas. Eu não gosto de festival só de rock ou festival só indie."

Ele conclui: "Gosto da ideia de você ser levado pela energia que chega do palco, que seja Iron Maiden, Metallica ou Radiohead. Talvez a gente possa ajudar a derrubar algumas barreiras. Música boa é o que importa. Alguém pode gostar de R.E.M. e se divertir em um show do Motörhead.”

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