Metallica escolhido a dedo pelos fãs lota o Morumbi

Metallica escolhido a dedo pelos fãs lota o Morumbi

Enquete definiu repertório para apresentação frente a 65 mil; biógrafo Martin Popoff falou ao ‘Estado’

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

20 de março de 2014 | 19h18

Um dos maiores fenômenos históricos do heavy metal no Brasil, a banda Metallica toca sábado, com lotação esgotada (65 mil ingressos vendidos), no Estádio do Morumbi – apenas seis meses após sua última passagem pelo Rock in Rio. O repertório da turnê Metallica by Request, como diz o nome, foi definido em votação pelos fãs (a banda vai escolher apenas uma das canções do set list, provavelmente uma nova).

A abertura, às 20 horas, será da veterana banda britânica Raven, com 40 anos de estrada e uma das expoentes da chamada New Wave of British Heavy Metal, surgida nos anos 1970.

Também na semana que vem o selo Agir (do grupo Ediouro) lança no Brasil a biografia Metallica – A História Completa e Ilustrada, do expert canadense Martin Popoff, um respeitável "coffee table book" com mais de 300 imagens e raridades, além de resenhas, entrevistas e curiosidades sobre a carreira do grupo.

O biógrafo, em entrevista ao Estado, não se mostrou surpreso com mais um estádio cheio para a trupe. "É uma ocorrência normal. É uma banda muito grande. Aqui nos Estados Unidos, os shows não são tão grandes, cerca de 18 mil, 20 mil pessoas. Mas parece que vocês aí na América do Sul têm mais e maiores estádios, daí esses shows grandes. É normal."

Entre os shows memoráveis que Popoff diz ter visto da banda, o favorito é o da turnê Master of Puppets, em Toronto. Por isso, ele conta, ficou feliz quando a pesquisa que fez, Os 500 Top Álbuns de Heavy Metal de Todos os Tempos, colocou Master of Puppets (1986) em primeiro lugar (curiosamente, ele prefere Ride the Lightning, de 1984; acha Master derivativo).

Popoff (que também é baterista) concorda que, hoje em dia, uma nova banda atingir o status e o tamanho de um Metallica (ou de um Van Halen, Black Sabbath, AC/DC ou Kiss) se tornou virtualmente impossível. Ele vê apenas duas em vias de se tornarem grandes: Avenged Sevenfold e Lamb of God.

"O fato é que a indústria da música afundou. Não há mais dinheiro para tanto plástico, tanta produção. O próprio conceito de álbum com 13, 15 canções, está desaparecendo. Eram conceitos arbitrários, não vejo nenhuma razão para que persistam. É mais barato fazer disco em casa hoje em dia, portanto há mais bandas que nunca. E, também há muitos outros fatores competindo pelo entretenimento com a música: smartphones, videogames. O rock’n’roll já não ocupa mais tanto espaço na vida cotidiana."

O livro de Popoff sobre o Metallica é bastante elogioso, já que ele é também um fã e amigo dos integrantes. Chama o Slayer de "clone", e também é franco com as mancadas estéticas do quarteto – como quando eles tentaram embarcar na onda do nü metal. E também não se furta a mencionar os imbróglios envolvendo o grupo, como a batalha legal que o Metallica moveu contra o Napster, primeiro grande site de compartilhamento de músicas, em 2001.

"Acho que o Metallica estava completamente correto naquele caso", disse Popoff, argumentando que, se alguém faz arte, merece ser pago por seu trabalho. Mas também concorda que, hoje, o compartilhamento de músicas se disseminou e não é mais possível contê-lo. "Eles ganharam a batalha, mas perderam a guerra", considera.

METALLICA

Estádio do Morumbi. Praça Roberto Gomes Pedrosa, 1 - Morumbi. Sáb., às 21 h (abertura com a banda Raven). Ingressos: de R$ 90 a R$ 600.

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