Mestre Tadeu completa 29 anos na bateria da Vai-Vai

O mestre Antônio Carlos Tadeu de Souza comemora dois aniversários nesta terça-feira. Além de completar 50 anos de idade, ele celebra 29 anos no comando da bateria da Vai-Vai. Fiel à agremiação desde o fim da década de 60, Tadeu detém o título de mais antigo mestre de ritmistas de uma mesma escola em São Paulo. "Isso é inédito", destaca. Para celebrar, ele vai promover um almoço especial. "Convidei o mestre Louro do Salgueiro, que está lá também há 29 anos."Com mais de metade de sua vida dedicada à bateria da Vai-Vai, hoje mestre Tadeu reúne três gerações sob seu comando. Este ano, a bateria desfilará com 300 componentes, número três vezes maior do que o de 1972, quando ele começou a dirigir a ala. A Vai-Vai estava deixando de ser um cordão para se tornar uma escola."Na época da ditadura era muito difícil", lembra. "Quando os ensaios passavam das 22 horas, a polícia invadia, chutava os instrumentos e às vezes prendia todo mundo." O grupo costumava ser solto no dia seguinte. "Quem freqüentava escola de samba era visto como maloqueiro", explica. "Hoje, sai até gente da alta sociedade. Desfila desde o lixeiro até o juiz." Mestre Tadeu começou a participar do carnaval paulistano na década de 60, freqüentando a Escola de Samba Lavapés, atualmente no Grupo 2. No fim de 1969, entrou para a bateria da Vai-Vai como tocador de surdo. Em apenas três anos, começou a dirigir a ala.A mudança de função deu certo. "Mas isso não acontece do dia para a noite", ressalva. "Para ser mestre da bateria, tem de ter vocação." Nos seus mais de 30 anos de carnaval, mestre Tadeu nunca estudou música. "Sai tudo da cabeça da gente", esclarece. Segundo ele, aí está a principal diferença entre um maestro e um diretor de bateria. "Se alguém estudar música, vai se perder. A pessoa vai querer pôr violino, órgão... Vai querer inventar."Exigência - Na sua opinião, um bom mestre precisa ter liderança, personalidade e determinação. "Também precisa tocar a maioria dos instrumentos e ter um bom ouvido para saber quem está errado e quem está certo." Ele se orgulha de conservar até hoje a batida característica dos surdos da Vai-Vai, que vem da época em que a escola ainda saía como cordão. "O que fiz foi cadenciá-la, usando os outros instrumentos."Para manter o padrão de qualidade que já garantiu centenas de notas 10, mestre Tadeu faz uma seleção rigorosa de novos componentes todos os anos. "A maioria vem tentar a sorte e faz um teste", explica. Quem não aprende a tocar em três meses está cortado.

Agencia Estado,

12 de fevereiro de 2001 | 22h20

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