Mestre Ambrósio lança um disco de festa

Samba é a festa, não o gênero musical - ou era, no início. Neste sentido, Terceiro Samba leva a palavra de volta ao seu sentido original, de origem africana. É um disco de festa, que lida com ritmos brasileiros, não necessariamente nordestinos, mas, quando nordestinos, principalmente com os da tradição da música pernambucana.Terceiro Samba é o título do terceiro disco do grupo pernambucano Mestre Ambrósio, o segundo sob o selo Sony Music. O primeiro trabalho da turma, independente, esgotado, está voltando às lojas com chancela da gravadora alternativa Terreiro Discos, que é dirigida por Helder Vasconcelos, o sanfoneiro dos Ambrósios."Samba tem muitos siginificados", explica o tocador de rabeca do grupo, Siba. "Tem o samba do maracatu, o samba do cavalo-marinho, o samba do Rio de Janeiro, o da Bahia." É a brincadeira. E o Mestre Ambrósio quis explorar o espírito de festa numa grande diversidade de gêneros: "Sem deixar de promover misturas, como nos discos anteriores, os gêneros tiveram, aqui, suas essências mais trabalhadas", conta Siba."A gente vem brigando pela referência musical do Nordeste, mostrando que ela tem seu valor próprio e que não deve nada a nenhuma música do mundo", continua. "O Mestre Ambrósio pretende ser universal sendo radicalmente nordestino, pernambucano", conta.Isso não quer dizer que o grupo não esteja mais utilizando informações extranordestinas: o próprio Siba foi guitarrista num conjunto de rock e o que assimilou naquele tempo está incorporado à sua formação musical. No entanto, o rock aparece cada vez menos no som final dos Ambrósios, assim como as referências à música oriental."Só me queixo do fato de nossa música chegar a pouca gente, por falta de espaço no rádio e na televisão", diz Siba. Ele vê, ainda, o perigo de massificação do chamado "forró universitário", mas espera que isso abra espaço para grupos mais sérios.

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