Mesmo com chuva, público não desanima no Festival MPB

Caetano Veloso fez dueto com Maria Gadú e Ana Carolina homenageou Belchior no último dia de shows, neste domingo, 14

Allan Nascimento, Especial para O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2014 | 11h43

RECIFE - Com chuva, o segundo e último dia de shows do Festival MPB no Centro de Convenções de Pernambuco, no Recife, terminou com cara de carnaval na praça do Marco Zero. Com boa parte do público segurando até o fim das apresentações e com bastante empolgação, Nena Queiroga, Lenine, Preta Gil, Ana Carolina, Mamelungos & Vanessa Oliveira, Caetano Veloso e Seu Jorge encerraram a primeira edição do projeto, que deve chegar à outras capitais ainda no primeiro semestre de 2015.

Quando os portões foram abertos, às 16h, o público já pôde conferir a passagem de som de Lenine, que fez um dos shows mais animados da noite. Além de cantar sucessos como Paciência e Jack Soul Brasileiro, o pernambucano fez citações a outros nomes da música popular brasileira. “Citei Djavan, Milton Nascimento, cantei uma parceria de Gil e Caetano, O Rappa, Raul Seixas. A música brasileira é muito abrangente. O festival conseguiu reunir várias expressões e, todas elas, com o nosso equilíbrio de palavras e sons”, explicou o músico no camarim, que comemorou o fato de ter feito todo o show com os pais no palco. “Por ter começado cedo foi bem oportuno, porque se fosse na madrugada não teria como tê-los hoje aqui”, comentou Lenine, que ainda tocou com o filho Bernardo a música Alzira e a Torre.

Outro momento que agradou bastante o público presente foi o reencontro no palco de Caetano Veloso e Maria Gadú – ela, uma das atrações da primeira noite do festival. Juntos, cantaram algumas das músicas dele que entraram no repertório do DVD que gravaram em 2011, como Rapte-me camaleoa e Leãozinho. “Tem uma música que nunca canto no meu show, mas tenho sempre que cantar quando estou em Pernambuco”, falou Caetano antes de tocar Você não me ensinou a te esquecer, regravação de Fernando Mendes que foi trilha do filme Lisbela e o Prisioneiro, rodado em Pernambuco.

Ana Carolina, primeira artista a ser surpreendida com a chuva, cantou músicas do seu repertório mais recente e ainda fez uma homenagem ao cantor e compositor Belchior. Enquanto ela cantava Coração Selvagem, do cearense, recebeu de alguém que estava no público um banner onde tinham escrito um Volta, Belchior. Preta Gil, Seu Jorge, Nena Queiroga, e os pernambucanos da Mamelungos, que tocaram o repertório dos Novos Baianos, fizeram apresentações também animadas, com o clima de festival de verão.

Flora Gil, uma das organizadoras do Festival MPB, fez um balanço positivo do começo do projeto. “O festival foi criado baseado em pesquisa de mercado de música, que apontou que o Rio de Janeiro é principal consumidor de música popular brasileira, e Recife ficou em segundo lugar. Como o Rio é uma cidade mais turística e a gente queria começar pelo nordeste, escolhemos iniciar por aqui”, explicou ela, que acredita que até maio o festival deve chegar a outras capitais, como São Paulo, Brasília, Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. “Até sábado eu tinha um projeto, hoje tenho um produto de música popular brasileira com os melhores nomes da MPB”, encerrou a produtora, que também estreou este ano no Recife, no Galo da Madrugada, o camarote Expresso 2222, há anos em atividade no Carnaval de Salvador. Segundo a produção do Festival MPB, 15 mil ingressos foram vendidos para cada uma das noites.

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