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Mesmo com atraso dos shows, medalhões do rock garantem bom festival em Ribeirão Preto

Mais de 45 mil pessoas marcaram presença no João Rock; Criolo, Pitty e Frejat foram os destaques

João Paulo Carvalho , O Estado de S. Paulo

14 de junho de 2015 | 07h21

RIBEIRÃO PRETO - Quem percorreu mais de 300 quilômetros de São Paulo a Ribeirão Preto, no interior da capital paulista, pode assistir a um bom festival de música na noite de anteontem. Criolo, Frejat, Skank, Capital Inicial, Pitty, CPM 22, Planet Hemp, Detonautas e Raimundos se apresentaram no João Rock e mostraram que os bons e velhos medalhões da música nacional ainda podem atrair multidões e, ao mesmo tempo, proporcionar qualidade sonora. Mais de 45 mil pessoas compareceram ao Parque Permanente de Exposições, segundo a organização do evento.

Apesar da boa aparelhagem técnica do Palco João Rock, o principal, e do Palco Universitário, onde tocaram nomes como Mato Seco, Brothers Of Brazil, Urbana Legion, Dead Fish, Gabriel O Pensador e Móveis Coloniais de Acaju, o festival apresentou um grande problema: os atrasos dos shows.

Programado para se apresentar às 19h30, os mineiros do Skank só subiram ao palco por volta das 20h45, horário que a atração seguinte, o Capital Inicial, já deveria estar em ação. Frejat só começou seu show às 19h30, uma hora depois do estipulado pelo cronograma.

Sem cerimônia, Criolo foi a primeira grande atração da noite. Depois de ganhar notoriedade com o álbum 'No na Orelha', o paulistano fez uma apresentação recheada de musicas do disco 'Convoque Seu Buda', de 2014. "Paz e justiça sempre", disse o rapper assim que subiu ao palco.

Embalado por clássicos do Barão Vermelho, Frejat fez uma apresentação romântica e ao mesmo tempo enérgica. 'Exagerado', 'Bete e Balanço' e 'Maior Abandonado' fizeram o público cantar em coro. Ao lado do filho Rafael Frejat na guitarra, ele homenageou o amigo Cazuza e lembrou Cássia Eller em 'Malandragem'. "Essa música que vou cantar agora ficou famosa na voz da Cássia. Eu a escrevi com o Cazuza. Quero que vocês cantem comigo", afirmou.

O Skank abriu o show no João Rock com muito gás e energia. Clássicos não faltaram, de 'É Uma Partida de Futebol', passando por 'Vou Deixar', a 'Sutilmente', a banda liderada por Samuel Rosa equilibrou o setlist para prender a atenção dos fãs. "Vamos fazer dessa noite inesquecível, Ribeirão Preto", berrou o vocalista. 

Além dos hits, Samuel Rosa, Henrique Portugal, Lelo Zaneti e Haroldo Ferretti mostram ao público várias musicas de 'Velocia', o primeiro disco de músicas inéditas dos mineiros em seis anos.

O Capital Inicial, que se apresentou na sequência, conseguiu manter a qualidade do festival. O sempre empolgado Dinho Ouro Preto fez elogios ao João Rock e à cidade. "Ribeirão Preto é hoje a capital do rock. Temos aqui o maior festival de rock nacional do País. Essa cidade é incrível", afirmou. Na bagagem, hits como 'Música Urbana' e 'Veraneio Vascaína' deram um tom mais politizado para a apresentação. "Algum político de Brasília representa vocês? Eu quero ouvir. Renan Calheiros? Eduardo Cunha? Fernando Collor? Dilma Rousseff?", esbravejou Dinho. O repórter do CQC, da Band, Lucas Salles, aproveitou a oportunidade para pedir a noiva Camila Colombo em casamento durante o show do Capital Inicial.

Já eram mais de 23h30 quando a  baiana Pitty deu início ao seu show. A rockeira abriu a noite com a música 'Setevidas', do seu disco homônimo, lançado em 2014. Hits como 'Semana Que Vem' e 'Máscara' manifestaram a performance em êxtase e cheia de entusiasmo da cantora. "Obrigado, senhores. É prazer estar aqui", disse Pitty. 

Uma das atrações mais aguardadas no festival, o Planet Hemp subiu ao palco principal do João Rock e levantou o público com o hit Legalize Já, do primeiro álbum da banda. Comandado por Marcelo D2, o grupo, que se reuniu em turnê nacional em 2013, agora lança um DVD com os maiores sucessos da carreira.

Antes de a banda deixar o palco, m encontro inesperado levou o público ao delírio. A cantora Pitty reapareceu para dividir o microfone com D2 em Mantenha o Respeito. Detonautas e Raimundos encerram os trabalhos no Palco João Rock, em Ribeirão Preto, no interior da capital paulista.

Estrutura. O João Rock já entrou na calendário oficial de grandes eventos de música do País. Ao longo de seus 14 anos, o festival já recebeu encontros memoráveis como o de Caetano Veloso e Os Mutantes, em 2007, e o de Jorge Ben Jor e Malu Magalhães, em 2009. Apesar da importância, alguns problemas de infraestrutura seguem tirando o sono do público. As filas para a compra de fichas eram gigantes no início da noite de ontem. Alguns fãs, inclusive, chegaram a desistir da compra.

Seguindo o mesmo modelo de festivais como o Lollapalooza e o Tomorrowland Brasil, o João Rock também adotou uma moeda local, a baqueta. Uma baqueta podia ser comprada por R$ 2,50. "Não gosto disso. Só serve para camuflar o verdadeiro preço das coisas. Podiam jogar mais limpo", disse a estudante de administração de empresas, Carla Albuquerque Santana, 19. Já Samara Oliveira, 23, que veio de Belo Horizonte, também desaprovou a moeda local. "Não funcionou no Lollapalooza e nem aqui no João Rock", disse a jovem.

Pontos positivos

*Som dos dois palcos funcionou muito bem durante toda a noite;

*Grandes nomes do rock brasileiro garantiram a diversão do festival;

Pontos negativos

*Atraso dos shows. Algumas bandas subiram ao palco com horas de atraso;

*A baqueta, moeda local do João Rock, não agradou a maioria dos fãs;

*Filas quilométricas para ir ao banheiro e comprar fichas;

*Desorganização na entrada e a falta de informação faziam com que algumas pessoas ficassem perdidas no meio da multidão;

* O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA ORGANIZAÇÃO DO FESTIVAL

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