Mercado fonográfico perde cerca de R$ 2 bi com downloads

A Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) acaba de divulgar uma pesquisa de mercado inédita, que faz um panorama do universo musical na internet. A ABPD, que todo ano lança balanços de venda no setor fonográfico, números da pirataria e prejuízos causados pela comercialização ilegal de CDs, percebeu que estava na hora de um estudo voltado a um novo hábito entre os internautas brasileiros: o de baixar música. ´O crescimento da banda larga, o boom na venda de computadores e de display de MP3, tudo isso favoreceu a área´, comenta o diretor-geral da ABPD, Paulo Rosa.Para ele, o resultado do estudo, encomendado à empresa Ipsos Insight, confirmou algumas preocupações, mas superou o que se imaginava do que seria esse mercado. ´Foi cerca de 1,1 bilhão de músicas baixadas, por quase 3 milhões de internautas durante 2005´, constata Rosa. De acordo a pesquisa, foram, mais especificamente, 2,9 milhões de brasileiros que baixaram música na internet - número este que equivale a 8,2% da população pesquisada, um total de 36,5 milhões de pessoas ouvidas em dez regiões metropolitanas: São Paulo, Rio, Ribeirão Preto, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Recife e Brasília. Dentre eles, os jovens são predominantes e a maioria é estudante.Para o mercado fonográfico, esse número de internautas que consume música na rede mundial de computadores poderia causar mais entusiasmo se não fosse por um fato que ocorre também, em outro nível, com as vendas de suportes físicos, como CDs e DVDs: o consumo ilegítimo das canções. Afinal, grande parte desse 1,1 bilhão de arquivos baixados é proveniente das redes de compartilhamento de arquivos, conhecidos também como Peer to Peer. O que acarretou mais prejuízos ao setor, pois, se esses downloads fossem realizados de maneira legal, ter-se-ia arrecadado mais de R$ 2 bilhões, três vezes mais do que o montante faturado pelo mercado oficial no ano passado com a venda de CDs e DVDs originais, que foi de R$ 615,2 milhões.´O compartilhamento de arquivos vem sendo combatido em vários países´, observa Rosa. ´Se a gente quer ver um mercado crescente, tem de coibir a oferta de música ilegal, em que ninguém ganha. Toda a cadeia produtiva da música é comprometida.´ Assim, Rosa não descarta a possibilidade de que indústria fonográfica no Brasil e a própria ABPD tomem medidas legais, a exemplo do que se acompanha com freqüência nos noticiários estrangeiros. ´No exterior, há entre 20 e 25 mil ações judiciais contra usuários dessa prática ilegal. No Brasil, ainda não começamos, mas com essa pesquisa pensamos em usar essa estratégia, até como campanha de conscientização de que a internet não é território livre.´Para ele, as pessoas precisam saber que o compartimento de arquivos não é tão inocente assim. ´O dono do software desse tipo ganha milhões de dólares em publicidade, spam, sem contar os vírus que pode haver nesses arquivos.´ Em contrapartida, Rosa ressalta que cantores, compositores e gravadoras não ganham um tostão em direitos autorais.O combate aos downloads ilegais tem de vir associado a outras soluções, acredita Rosa. Segundo ele, as gravadoras estão fazendo sua parte, disponibilizando seu material no formato digital. ´Acho que o movimento no Brasil é irreversível. As companhias, cada vez mais, estão se estruturando para explorar a internet. Está todo mundo buscando esse mercado, o que acompanha uma tendência mundial.´

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