Mercado fonográfico debate música na Internet

Começou no sábado em Cannes, na França, a edição 2001 do encontro do Mercado Internacional da Indústria de Música, o Midem, que vai até esta quinta-feira com shows de toda parte do mundo e discussões sobre o futuro da música e da indústria fonográfica. Para os 10 mil profissionais inscritos, um dos principais interesses é debater uma maneira segura de oferecer música pela Internet.A discussão vem um pouco tarde, pois os arquivos de MP3 já fazem a alegria dos internautas há alguns anos, e o Napster já deu grandes sustos no mercado fonográfico, que ainda está de cabelos em pé e sem nenhuma alternativa à nova tecnologia. Ainda assim, a quantidade de pessoas envolvidas pode tornar essa iniciativa uma das mais importantes no longo processo de adequação das indústrias para garantir o direito autoral de seus artistas na rede.A gigante IBM aproveitou o Midem para apresentar seu Electronic Media Management System (EMMS). A IBM aposta que o EMMS é a forma mais avançada de distribuir música pela Internet com garantia de proteção dos direitos autorais. Ele está sendo testado pelas maiores companhias fonográficas do mundo, BMG, EMI, Sony, Universal e Warner. A IBM garante que o sistema permite seguir a trilha dos arquivos distribuídos digitalmente, inclusive quando são feitas cópias pessoais.De forma parecida funcionam as "marcas d´água" apresentadas no encontro pela Sociedade Geral de Autores da Espanha (SGAE). A proposta de segurança da SGAE inclui um código escondido nos sulcos do CD, que possibilita fazer o rastreamento preciso de cada fonograma do disco digital. Com o sistema, é possível saber o exato instante em que a música é transmitida por radiodifusão e assim saber se o proprietário do CD está fazendo uso legal da obra. A empresa já está distribuindo o sistema gratuitamente para o mercado espanhol.A americana Cantametrix também inovou e apresentou na feira um sistema de ondas digitais chamado MusicDNA, que permite detectar gravações ilegais na Internet.Com tantas propostas diferentes, continua difícil para a indústria fonográfica escolher a melhor maneira de defender seus interesses. As quatro grandes corporações de defesa de direitos autorais - RIAA, IFPI, CISAC e BIEM - começaram a se unir nesta batalha. Elas defendem os direitos em mais de 100 países e prometem para agosto a definição de um sistema único que identifique e proteja os direitos autorais em todos os formatos da música que é distribuída na Internet.

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