Mendelssohn e Schubert, no violino de Accardo

O virtuosismo sempre marcou a carreira do maestro e violinista italiano Salvatore Accardo. Desde muito cedo, aliás - aos 8 anos, quando ganhara o primeiro instrumento do pai, corrigiu-o durante um dueto. Aos 13, fez suaprimeira apresentação diante do público, apresentando ICapricci, de Paganini. Aos 15, ganhou seu primeiro concurso. Eatualmente, consagrado como um dos maiores músicos da atualidade, se dedica a causas humanitárias, como o concerto em queparticipa amanhã, às 21 horas, no Teatro Municipal, em SãoPaulo, à frente da Orquestra da Toscana, em benefício daAssociação para Crianças e Adolescentes com Tumor Cerebral, aTucca.No repertório, constam As Hébrias, A Gruta deFingal - Overture op. 26, de Mendelssohn, e a Sinfonia n. 4Trágica em Dó Menor D. 417, de Schubert. Ele atuará aindacomo solista durante a execução do Concerto em Mi Menor paraViolino e Orquestra op. 64, também de Mendelssohn. "Ele é umdos compositores que eu mais toquei, desde meus 13 anos e com oqual ganhei mais prêmios. Schubert é minha sinfonia preferida emeu compositor preferido. Tocar Schubert suscita sempre grandesemoções", comentou Accardo em entrevista.Interessado em incentivar o talento dos jovens, Accardocriou, em 1992, o Quartetto Accardo, além de instituir cursos deaperfeiçoamento para instrumentos de corda. "A melhor coisaneste momento é o trabalho com a juventude, pois para os jovensna Itália, trabalhar com música é muito difícil. Por meio daminha escola em Cremona, tento dar oportunidade a eles",explica o maestro, que insiste na importância do aprimoramento."Estudar música é uma alegria. Se fosse um sacrifício, seriamelhor abandonar. Devemos nos sentir afortunados e privilegiadosem poder trabalhar com algo tão elevado."Desde 1987, trabalha também como regente de ópera, umfunção que lhe ampliou as obrigações em um concerto. "É um modode trabalho diferente, pois exige ensaios constantes, ora com oscantores, ora com o diretor, ora com os cantores e o diretor,ora com a cenografia sem a orquestra, os cantores e a orquestrasem a cenografia e, à medida que vai unindo todas essas partes,o trabalho vai tomando forma e, por tudo isso, é um trabalhomais vasto e mais completo. Eu tive a grande sorte de trabalharcom um dos maiores diretores de ópera, Jean-Pierre Ponel e foium trabalho maravilhoso."O maestro, que tocará um Stradivarius de 1727, tambémnão faz distinção entre ritmos musicais, ao contrário de algunspuristas. "Não diferencio a música clássica de qualquer outrotipo", comenta. "A música é boa ou não. Eu, por exemplo, nãome sinto bem tocando jazz. Por outro lado, fui grande amigo deAstor Piazzolla e ele compôs várias músicas para mim e paraviolino. Sairão, em breve, três discos de transcrições minhaspara violino das composições dele."Orchestra Regionale Toscana. Concerto beneficente comrenda revertida para a Associação para Crianças e Adolescentescom Tumor Cerebral, Tucca. Amanhã (01), às 21 horas. De R$ 40,00a R$ 120,00. Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/n.º,São Paulo, tel. 222-8698.

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