GABRIELA BILO/ ESTADAO
GABRIELA BILO/ ESTADAO

Melhor canção sobre os tempos de quarentena ganha clipe e arranjos orquestrais

O comovente trabalho de Chico César sobre poesia de Bráulio Bessa é arranjada por Gil Jardim e tem produção em vídeo com imagens das vítimas da covid

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2020 | 18h01

A Orquestra de Câmara da USP e Chico César lançaram um dos trabalhos mais contundentes, tristes e belos dos tempos da pandemia. A canção de Chico baseada na obra do poeta cordelista Bráulio Bessa chamada Inumeráveis, ou Espero que Nomes Consigam Tocar, mostrada em maio, tem uma construção poética e melódica engenhosa que cita nomes de pessoas vítimas da Covid 19 com suas pequenas histórias de vida. A música ganhou agora arranjos orquestrais e de coral do maestro Gil Jardim e um clipe com direção artística de Anderson Penha.

Chico e os músicos que o acompanham são mostrados apenas por suas mãos e bocas. As fotos dos vitimados pela covid foram cedidas por seus familiares. Os dez versos são formados por 11 sílabas e os instrumentos usados, não por acaso, remetem a um Brasil vulnerável e longe dos olhos do poder público: zabumba, pandeiro, triângulo e alfaia.

Um trecho da letra: “André Cavalcante era professor / amigo de todos e pai do Pedrinho / O Bruno Campelo seguiu se caminho / Tornou-se enfermeiro por puro amor / Já Carlos Antônio, era cobrador / Estava ansioso pra se aposentar / A Diva Thereza amava tocar / Seu belo piano de forma eloquente / Se números frios não tocam a gente / Espero que nomes consigam tocar.”

 

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